Códigos Das Minhas Emoções

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Inchaço

Livro de Alef Yaveh na Amazon

Tá, vamos lá, é segunda, 7:33 hs da manhã e um milhão de sensações negativas me tomam.

Acordei com corpo e rosto inchados, fruto de um domingo totalmente sedentário na parte da tarde, onde após o almoço A. e eu  nos recolhemos para o quarto.

A vida tem sido assim: acordar, limpar, trabalhar, comer,ir para o quarto cedo.

Isso me incomoda, mas também me prende, o looping infinito , uma roda de hamster que gira e não sai do lugar.

Fóra o rosto inchado, o estresse e a vulnerabilidade da conversa de ontem por volta das 23 da noite, todas as cartas na mesa e eu falei claramente sobre um “desmame” para desfazer os vínculos aos poucos até chegar no divórcio, ideia que A. repudia totalmente.

Quais são as áreas que precisam ser desvinculadas para o menor dano possível?

1- financeira, para que eu me torne totalmente independente dele, mas nas partilhas, nenhum dos dois saia prejudicado.

2-preparar os filhos, para que não sejam afetados , pelo menos não totalmente.

3-vínculo emocional e afetivo, ele é meu colo seguro, meu melhor amigo e incentivador e eu sua parceira leal de risadas e choros a quase 25 anos. Isso não pode se transformar em ódio, mágoa, traição ou ressentimento.

4-vinculo sexual. Ele é o corpo que conheço e que conhece meu corpo , não houve outro homem  que me tocou depois dele,vínculos sexuais também não se rompem da noite pro dia.

A conversa foi terrível, com altos e baixos,choro de ambos, terminou em oração, sexo e dormimos abraçados.

Acordei com ele já no trabalho e o coração dolorido, com medo de perder a única pessoa que me ama de verdade, por minha própria culpa, por sentir tudo por ele, menos paixão, e pela monotonia e sobrecargas da nossa vida.

Enquanto isso,do outro lado, espiando eu pelo buraco das fechaduras das redes sociais, uma pessoa que domina meus pensamentos e coração vivia sua vida, ganhava literalmente medalhas no esporte, ia para seu culto( coisa que me distanciei até decidir o que realmente fazer da minha vida), tocava seu instrumento musical, parecia feliz e totalmente entrosado, enraizado num estilo de vida que não me pertence e não me inclui e onde não faço falta.Vida ativa, enquanto eu, inchava no quarto, pedindo divórcio e imaginando um futuro,sem garantias de nada, só induzida por pensamentos e sentimentos insistentes que estou tentando vencer a um ano e meio.. se isso não é a pior das burrices , não sei o que é.

No meio da conversa A.deixou escapar a informação de que quem tirou o contato-sem nenhum uso- do M. do meu celular foi ele. Não fui bloqueada como pensava.

Enfim.. se isto tudo não é enlouquecer, não sei o que é.

*Diário de Alef

Música de Alef Yaveh que combina com este POST
Controvérsias

O Analista

Alef, ler suas palavras é sentir o peso de um coração dividido entre a dor da mudança e o medo da estagnação. A complexidade que você descreve é imensa, e a honestidade com que você se expõe é, em si, um ato de coragem.

Vamos por partes, com um olhar de cuidado sobre os pontos que você mesmo levantou.

Sobre as áreas que precisam ser desvinculadas para o menor dano possível:

1. Financeira: Este é o mais concreto. Comece em silêncio. Faça um levantamento minucioso de suas próprias receitas, despesas, dívidas e ativos. Busque orientação profissional, se possível (contador, advogado familiarista). O objetivo não é “tomar” algo dele, mas construir uma visão clara da sua autonomia e, futuramente, negociar uma partilha justa, que realmente não prejudique nenhum dos dois. É um ato de prudência, não de agressão.
2. Os filhos: Eles são o centro, mas não devem ser o escudo nem o elo que mantém um casamento infeliz unido. A preparação é sobre comunicação e segurança. Isso exige, idealmente, ajuda profissional (psicólogo infantil/familiar). Juntos (você e A.), quando estiverem mais estáveis, devem transmitir uma mensagem unificada: “Nossa mudança é entre nós, mas nosso amor por vocês é inabalável e duplo.” Protegê-los não é esconder, é garantir que se sintam amados e seguros em duas casas, se for esse o desfecho.
3. O vínculo emocional e afetivo: Este é o mais delicado. Um vínculo de 25 anos não se desfaz; ele se transforma. A ideia de “desmame” é sensata justamente para tentar preservar o afeto e o respeito. O risco de virar mágoa é alto quando há dor não processada. A sugestão aqui é terapia individual para você e, se possível, terapia de casal com foco em uma separação consciente (sim, isso existe). É um espaço para aprender a renegociar esse laço: de cônjuges para possivelmente aliados, co-criadores, amigos que compartilham uma história. É o trabalho mais difícil, mas o que pode evitar o ódio.
4. O vínculo sexual: O corpo tem memória e o conforto físico é um anestésico poderoso contra a dor emocional, como você vivenciou após a conversa. Reconhecer isso é crucial. O “desmame” também passa por aqui: criar novos rituais de sono, de afeto não-sexual, de distância física necessária para que a confusão entre carinho, hábito e desejo possa se dissolver. É um luto corporal.

Sobre a outra pessoa e o looping da vida:

Aqui, Alef, é preciso um olhar de gentileza, mas também de firmeza consigo mesma. A pessoa que você observa pelas “fechaduras” das redes sociais vive uma narrativa editada. Medalhas, culto, música, felicidade aparente—isso é a capa do livro, não os capítulos complexos e sombrios que todo mundo tem. Você está projetando nela uma solução e um estilo de vida que parecem o oposto do seu “inchar no quarto”.

Mas essa comparação é uma armadilha. Ela não vive seus problemas, suas décadas de casamento, suas responsabilidades. É uma fuga, um ímã para sua insatisfação. O trabalho mais urgente, talvez, não seja decidir sobre o divórcio, mas reconquistar a si mesma. Quem é Alef fora do papel de esposa, de mãe, da pessoa que observa a vida alheia? O que a faz sentir-se viva, com o rosto desinchado e o coração leve, mesmo que por uma hora? Pode ser um esporte, um curso, escrever (como você faz tão bem), voltar a cuidar da sua espiritualidade por você, e não por influência.

O ponto crucial que você mencionou:

A. ter removido o contato do seu celular revela uma camada profunda de insegurança e medo dele. É um dado importante. Mostra que o desgaste e as ações não são apenas de um lado.

Enfim, Alef:

Você não está enlouquecendo. Está acordando. E acordar para uma realidade complexa e dolorosa é desorientador. A monotonia do looping era um tipo de anestesia. Agora você sente todas as dores do corpo e da alma.

A sugestão prática é: Pare de pensar no divórcio como um ponto de chegada imediato. Pense no próximo passo, que é cuidar de você. Busque terapia sozinha. É seu porto seguro para desembaralhar esses sentimentos, a paixão ausente, o medo da solidão, a atração pela vida “ativa” alheia. Dessa clareza, virão as decisões sobre o casamento.

Você tem medo de perder “a única pessoa que a ama de verdade”. Mas antes de resolver isso, é vital que você se torne uma pessoa que se ama de verdade. O resto—o futuro com A., sem A., ou em uma nova configuração—será consequência dessa jornada interna.

Um dia de cada vez. Uma sensação de cada vez. Você já deu o passo mais importante: olhou para o turbilhão e o nomeou. Agora, respire. O próximo passo é buscar um apoio qualificado para não caminhar sozinha nisso.

Escreva um e-mail para Alef Yaveh fabricadossonhosdealefyaveh@gmail.com

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