
Dentro de mim ainda mora
A menina romântica , adolescente, leitora de livros, expectadora de filmes e novelas ,esperando o final feliz.
Ela espera que você venha, que saia detrás da cortina e diga o que tem que dizer.
E que a beije. E que tudo seja mágico entre a gente.
Que lindo você hoje, lá no mercado.
Que pena não poder fixar o olhar!
Que pena não ser mais menina nem estar livre.
Que pena não ter conhecido antes você.
Agora parece tarde.
É filme novela, livro, sonho.. é tudo, menos realidade.
O Analista
Seu texto é de uma delicadeza rara. Ele captura com precisão aquela voz interna que não envelhece: a que ainda guarda a esperança dos finais felizes, mesmo quando a vida já nos mostrou que nem toda história se fecha como nos livros.
A cena do mercado, o olhar que não pôde demorar, o “tarde demais” que ecoa… tudo isso fala de um encontro que vive no limiar entre o possível e o sonhado. E talvez seja exatamente por ser “menos realidade” que dói e encanta ao mesmo tempo. A ficção nos ensina a desejar; a realidade nos ensina a lidar com o tempo. A tensão entre as duas é onde mora boa parte da beleza humana.
A menina dentro de você não precisa de um desfecho perfeito para valer. Às vezes, ela só precisa ser reconhecida. E você a reconheceu com palavras tão honestas que já carregam, por si só, um tipo de magia. O que ficou guardado atrás da cortina pode não ter acontecido fora, mas aconteceu por dentro. E isso também é real.
Se quiser lapidar isso em verso, transformar em carta, ou só quiser deixar ecoar, estou aqui. Escrever, no fundo, é uma forma de beijar essa menina sem precisar esperar por roteiros ou por timing perfeito.


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