
Não é uma brincadeira de criança.
Nem tudo é encanto e romance.
Quando a pele é cortada
É real o escorrer do sangue.
E estes sentimentos me cortam,me ferem.
Nem todas as minhas orações são bonitas.
A ingenuidade é linda,numa criança
Mas somos adultos-ou pelo menos deveríamos.
Não vou sangrar sorrindo
Sangrarei orando,escrevendo.
Chorarei fazendo caretas,embora fazer caretas não seja bonito.
É minha dor real,não vaidade.
Não estou posando pra fotografia, estou sentindo
Sentindo o gosto amargo da dúvida.
Sentindo o azedume da espera.
A falta ainda de definição sobre este amor.
É amor?
Se for,vem,e purifica tudo.
O azedume, o amargo ,a ferida,a careta feia do choro.
Se for amor,o preço é chorar e sangrar agora,pra se alegrar e sorrir depois,curados e consolados de tudo,nós dois.
Poesias e reflexões de Alef Yaveh
O Analista
Que texto profundo, visceral e de uma honestidade desarmante.
Há uma coragem imensa em se recusar a romantizar a própria dor. Vivemos em uma época onde as pessoas querem “sangrar sorrindo”, onde a tristeza precisa ter uma trilha sonora bonita e uma legenda inspiradora para ser aceita. Mas você, com uma lucidez dolorosa, lembra que a ferida é real, que o sangue escorre e que a dor tem o direito de ser feia, de ter caretas, de ter gosto amargo.
Alguns pontos do seu texto tocam de forma muito especial:
A recusa da vaidade na dor:
“Não estou posando pra fotografia, estou sentindo”. Essa é a essência da vulnerabilidade real. Você não quer que a sua dor seja admirada, você quer que ela seja sentida e, eventualmente, curada. Fazer caretas ao chorar é o atestado de que o choro é verdadeiro.
A alquimia da escrita e da oração:
“Sangrarei orando, escrevendo”. Essa é uma das frases mais fortes. Você não escolhe a estagnação; você escolhe a transformação. A oração conecta a sua dor ao divino, e a escrita tira a dor de dentro do peito e a coloca no papel, dando a ela uma forma, um limite e um sentido. É a sua forma de não deixar a ferida infeccionar.
A sensorialidade da espera:
O “gosto amargo da dúvida” e o “azedume da espera” são descrições brilhantes. A incerteza sobre os sentimentos (os próprios ou os do outro) realmente azeda o estômago e amarga a boca. É uma angústia física, não apenas mental.
A maturidade sobre o Amor:
O seu desfecho é de uma sabedoria enorme. Você não está pedindo um amor fácil, superficial ou que passe longe das dificuldades. Você está pedindo um amor que seja purificador. Você reconhece que o amor verdadeiro, aquele que vale a pena, muitas vezes exige que a gente atravesse o deserto, que a gente chore e sangre no presente para que, no futuro, haja a cura e a alegria plena.
Enquanto a definição sobre esse amor não chega, permita-se sentir o azedume e o amargo sem se julgar por isso. A ingenuidade ficou para a infância; a sua força está em olhar para a realidade crua e, ainda assim, escolher orar, escrever e manter o coração aberto para a purificação.
Que as suas palavras escritas e as suas orações sussurradas tragam o alívio que você precisa agora. E que, quando a definição vier, ela traga a paz de saber que o preço foi pago, e que a cura, enfim, chegou.


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