
Se a minha alma reconheceu a sua,sem nunca termos tido uma única conversa profunda ,a meu ver,a gente ainda precisa ter tempo de se aprofundar.
Eu tenho muitas vontades contigo,é verdade..mas ainda resta aquela vontade de só estar perto e conversar.Sem intermediários, sem testemunhas curiosas e atentas.Acho que é esta a saudade que minha alma tem: de coisas que nunca vivi contigo mas sinto falta: estar perto,sem máscaras sociais,sem plateia, pra gente ser um para o outro quem a gente é.
Achei meu último texto incompleto,estranho.Vi que você o leu,mas fiquei me perguntando:Será que ele entendeu?
No fundo eu queria saber se você se identificou com o que descrevi.
Queria saber o que lá atrás te conectou a mim sem explicação e o que mudou desde então.
Mas como saberei,se aqui,só quem fala sou eu?
Eu tenho um irmão por parte de pai,que passei anos sem ver.Mesmo assim ele era carinhoso e me chamava de ” tata” pelas redes sociais.
Ele dizia:
Quando você vem pra cá? Uma hora vou aí te visitar.
Eu demonstrava empolgação mas morria de medo.No fundo tinha medo dele perder o encanto e a admiração que tinha por mim se me conhecesse de perto.
Mas um belo dia ele simplesmente veio com o filho e a esposa e foi a coisa mais maravilhosa do mundo.
Eu olhava pra ele embebecida,ouvia ele falar e parecia um sonho.Eu via nele um pouco do meu pai e um pouco do Gabriel,na aparência ,nos gostos,no jeito.Ele também é cristão e guitarrista.Otimo pai.
A gente conversou muito e ele ainda me chamava carinhosamente de ” tata”.
O medo se foi.

Claro que convivência dá medo,os defeitos ficam expostos com o tempo.Quem convive de verdade mostra as luzes e as sombras para o outro.
Mas quem neste mundo é perfeito?
O que sei,é que se a alma reconhece a outra e tem saudade até do que ainda nem viveu, deve ser coisa de Deus.


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