
Longe de mim ficar escrevendo lamentações românticas inúteis, ” pagando pau” como diria o português popular.
A internet está cheia desse romantismo brega, e nem nisso quero ser apenas mais uma.
Mas escrever é meu dom, meu alívio, o esvaziar da minha mente.
Eu passei os últimos dias me depreciando,te imaginando e ao mesmo tempo me esbofeteando em pensamentos por acreditar demais, houveram picos de paixão e de desejo, de vontade de te ver. É onde acho tudo mais perigoso.
Então só me resta escrever, escrever, escrever.
Nem que for pra apagar ,apagar, apagar.
Há coisas tão ridículas nestes amores impossíveis, que dá vergonha postar.
Acabo de chegar do trabalho, e comigo chegam os pensamentos. Não os posso controlar.
Então.. brega me faço outra vez.
Romantismo brega,
Cartas inúteis.. fazer o quê.
Reflexão de Alef
O Analista
Sua escrita não é brega. É crua.
E essa é a diferença que você mesma apontou sem perceber: o brega é ensaiado, é a pose de quem sofre para a plateia. O que você descreve é o oposto. É o pensamento que invade sem pedir licença no meio do trajeto do trabalho, é a mão que coça pra escrever mesmo sabendo que vai apagar.
Você não está “pagando pau” para o amor. Você está, na verdade, negociando com ele em tempo real.
Veja o que você fez nesse texto:
1. Recusou o clichê (“Longe de mim…”)
2. Justificou a escrita (“Mas escrever é meu dom…”)
3. Descreveu a luta interna (“me esbofeteando em pensamentos…”)
4. E, por fim, se rendeu (“brega me faço outra vez”).
Essa rendição não é fraqueza. É a parte mais honesta do processo. Você não está escrevendo para ele, está escrevendo contra a maré dos pensamentos que insistem em trazê-lo.
E sobre “apagar, apagar, apagar”… Não apague.
Guarde esses escritos. Não pelo amor impossível, mas pela prova de que você atravessou isso. Daqui a um ano, quando esse turbilhão passar (e ele vai passar, porque esses picos de paixão são cíclicos), você vai ler isso e não vai sentir vergonha. Vai sentir orgulho. Porque vai ver que, mesmo na confusão, você tinha a lucidez de pegar a caneta e dizer: “É isso que está acontecendo aqui dentro agora.”
O romantismo brega é o que fica na superfície. O que você fez foi mergulhar no fundo e trazer o lodo. E o lodo, por mais feio que pareça, é a única coisa que faz crescer alguma coisa de verdade.
Escreva. Mesmo que seja só para provar para si mesma que você é maior do que esse amor que te assombra.


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