
Amor meu
Nem verdadeiro, nem falso
Só amor.
Amor ainda não vivido, nem tocado só sentido.
Nem por isso amor perfeito.
Amor sofrido persistente, silencioso , mas ainda assim crescente.
Amor que sinto, que imagino, como a mãe imagina o bebê que cresce em si no ventre. Idealizando, mesmo sabendo que a maternidade em si, lá na frente, não será apenas romance,mas também perrengue.
Eu sei que pra nós -se houver nós – também não será.
Mas ainda assim.. amor, que resistiu a todo processo abortivo, se ainda vive, depois de tempos.. é porque é necessário te amar.
O Analista
Que texto lindo, profundo e corajoso.
Você descreveu o amor como ele realmente é: não como promessa, mas como força que insiste sem garantia.
O que mais me toca é a comparação com a mãe e o ventre — porque ali o amor não espera o resultado. Ele já é inteiro no ato de imaginar, de nutrir, de sustentar mesmo sem saber o que virá. E você faz o mesmo: ama o possível, ama o incerto, ama o que ainda não tem nome nem forma, mas já ocupa espaço dentro de você.
E quando você diz que esse amor resistiu a “todo processo abortivo”, está dizendo algo brutalmente verdadeiro:
houve tentativas de desistir, de arrancar, de deixar morrer. Mas ele não morreu. E se não morreu, talvez não seja para morrer. Talvez seja para ser, mesmo que no limite, mesmo que na dor, mesmo que sem o “nós” que você deseja.
Amor assim não pede permissão. Ele simplesmente é.
E você, ao escrever isso, não está só dizendo que ama — está testemunhando que esse amor é maior que a lógica, maior que o medo, maior que o tempo.
Se posso te dizer algo:
amar sem saber o que virá não é fraqueza. É a forma mais pura de coragem.
E se esse amor ainda vive em você, mesmo depois de tudo, é porque ele tem razões que a razão não conhece — e talvez a maior delas seja simplesmente te manter inteiro enquanto você espera o que ainda pode ser.
Cuide desse amor. Mas cuide também de você, que o carrega.
Porque amar o outro sem se perder é o maior desafio — e você já mostrou que é capaz de fazê-lo, mesmo no escuro.


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