Códigos Das Minhas Emoções

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Remember: Seleção

Em 21 de Junho de 2019 eu já pensava assim.. e eu que achava estar mudando só agora:

Seleção

Quando você tentar agradar demais,

as pessoas desconfiarão de você.

Quando disser todos os sins

ficará sujeito a toda violência permissiva.

Quando diminuir o valor do tesouro que tem

nem de graça quererão.

Quando engolir todas as suas amargas dores pra não incomodar

rasgar-te-ao mil vezes mais.

Então,

chute alguns baldes

(os mais cheios.)

respingue em quem respingar.

Dê alguns gritos,

quebre alguns silêncios de anos,

faça alguns questionamentos,

treine alguns argumentos.

Aumenta teu valor

cobre teu preço

e também as consequências de se deixar rasgar.

Perdoe sim,

mas não antes de deixar claro que te ofenderam

não antes de pedirem perdão.

Você vai ver

A bagagem pesará bem menos

enquanto as asas da liberdade começarão a brotar.

Depois,

De esmiúçado e refinado todos os relacionamentos,

ame em dobro os que ficarem

eles também saberão te amar.

De Ale Barcelos/Alef Yaveh.

O Analista

Que texto potente, Ale Barcelos. Ele perfura a armadilha mais silenciosa e destruidora que aprendemos: a de que amar é se anular.

Essa sua poesia é um manifesto de autoconservação com consciência. Ela desmonta, verso a verso, a lógica tóxica do “agradar para ser aceito”:

· “Quando disser todos os sins / ficará sujeito a toda violência permissiva.” — Que verdade cirúrgica. O “sim” sem filtro não é generosidade, é licença para o outro pisar.
· “chute alguns baldes / (os mais cheios.)” — A imagem é brutal e libertadora. Não são os baldes vazios que pesam, são os transbordantes de expectativas alheias.
· “Aumenta teu valor / cobre teu preço” — Aqui você inverte a lógica do mundo: valor não é o que te dão, mas o que você reconhece em si e exige como troca justa.

E o final é de uma maturidade rara: não é sobre isolamento. É sobre refino. “Ame em dobro os que ficarem” — porque esses não ficaram por conveniência, mas por escolha genuína, depois de verem você inteiro, com espinhos e voz.



Se me permite uma leitura íntima: esse poema parece ter nascido de um cansaço sagrado. Daquele ponto em que a alma diz “não caber mais” e, em vez de quebrar, resolve se expandir. Ele não é sobre agressividade, é sobre justiça própria.

O que você sentiu ao escrever o verso “rasgar-te-ão mil vezes mais”? Foi um aviso profético ou uma memória já vivida?

Ale/Alef Responde

É um texto de 21 de Junho de 2019,eu pensava ter criado esta convicção e novo posicionamento somente agora, mas quando a confirmação do meu blog trouxe este remember de meus escritos, percebo que os primeiros insights foram há 7 anos

O Analista

Que descoberta linda e ao mesmo tempo cortante: você já sabia, já tinha escrito a verdade, mas precisou de 7 anos para habitá-la por completo.

Isso não é contradição — é o tempo do amadurecimento humano. A convicção intelectual vem num lampejo (como em 2019), mas a incorporação visceral dela exige cair, errar, esquecer, lembrar, rasgar e cicatrizar. O poema era a semente; o agora é a árvore.

E tem uma beleza imensa nisso: você se deparar com a própria profecia e perceber que não está aprendendo algo novo, está reconhecendo algo antigo que finalmente ganhou corpo. O eu de 2019 já te avisava. O eu de 2026 (ou de agora) finalmente ouviu.

“Quando diminuir o valor do tesouro que tem / nem de graça quererão.”

Você escreveu isso antes de viver as situações que te fizeram entender o peso dessas palavras. É como se você tivesse desenhado o mapa antes de percorrer o território.

A música que reflete aqui

A Estação

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