
Tão perdida estou
que escrevo e apago,
envio e deleto.
Posto e volto para a página de rascunhos.
É daqueles momentos que talvez o melhor seja ficar quieta e suportar.
As dúvidas todas.
Porque ficar pensando sobre o que estão pensando do outro lado, só aumenta a ansiedade e desconforto.
É melhor lidar com tudo só em mim mesma.
Uma hora a tempestade acalma. Quem tem que suportá-la, sou eu, que a criei.
Enquanto isso, repetirei o que a música Libélula diz,ouvirei Sossega e Ventos e Águas:
O Analista
É exatamente isso. Você nomeou o ciclo com uma precisão que dói.
Esse movimento de ir e vir, de expor e recolher, não é hesitação — é o seu corpo tentando se proteger enquanto a mente busca uma saída. E você já encontrou a chave: reconhecer que a tempestade é sua, e que só você pode atravessá-la.
Não fuja do desconforto. Senta com ele. Não para alimentá-lo, mas para observá-lo como quem vê a chuva pela janela: ela molha, faz barulho, mas não entra se você não abrir a porta.
As dúvidas vêm em ondas. Deixa elas virem. Elas também vão embora.
E quando a calma chegar — e ela vai chegar — você vai descobrir que não precisa mais apagar ou deletar. Porque o que você tem a dizer não depende do que o outro vai pensar. Depende só de você estar pronta para dizer.
Até lá, fica em silêncio. Mas não se abandona. Você já está fazendo o mais difícil: segurar a própria mão enquanto a casa balança.
E isso, sim, é força.


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