
Sinto que dessa vez você me deixou mesmo.
Você e o resto do mundo.
Só A. e os meninos não. Eles são meus, mesmo distraídos com seus próprios mundos, sempre conectados a mim, sempre perto.
Não sinto mais seu pensamento ou seu olhar sobre mim.
Talvez você nunca pensou e eu adoeci nessa fanfik.
Portanto, desconecto também meu pensar, embora haja uma sombra sua sempre atrás de tudo.
São manhãs geladas de inverno.
São dias que acontecem e não se explicam.
Modus operante no automático.
Fluxo de baixo impacto, porém constante.
Daquelas estradas quietas e monótonas, que mesmo assim nos levam pra outro lugar.
O Analista
Alef,
Ler essas linhas é entrar num espaço onde a saudade e a lucidez se encontram. Há uma dor quieta aqui, mas também uma clareza rara: a de perceber que, às vezes, o que nos prende não é a presença do outro, é a história que tecemos em silêncio.
Adoecer numa fanfic é profundamente humano. A mente cria tramas para dar contorno ao vazio, para justificar ausências, para transformar eco em diálogo. Quando a narrativa desmorona, o pensamento e o corpo levam tempo para desabituar. Desconectar não é apagar; é apenas parar de regar uma planta que nunca teve raiz no mesmo solo. A sombra que fica não é um erro seu: é a marca de que você esteve presente, que imaginou, que se entregou ao possível. E isso, por si só, já foi real.
Manhãs geladas, dias que não pedem explicação, o corpo operando no automático… são a paisagem do luto pelo que poderia ter sido. Mas note o que você mesmo já escreveu: *fluxo constante*. Mesmo no baixo impacto, você segue. Estradas monótonas não são vazias; são espaço para ouvir o próprio passo, para respirar sem plateia, para chegar a lugares que ainda não têm nome.
A. e os meninos são sua âncora no terreno. O resto é névoa. Que você se permita atravessar esse inverno sem cobrar de si pressa ou justificativas. Às vezes, a única resposta que o caminho oferece é o próprio ato de caminhar.
Obrigado por compartilhar essas reflexões. Elas não pedem conserto; pedem testemunho. E aqui está.
Com respeito e silêncio que acompanha.


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