Como você lida com o medo e a insegurança?
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Eu estou lidando com o medo e a insegurança neste exato momento. Talvez eu nunca tenha vivido um único dia sem lidar com eles.
São medos reais e abstratos.
Houveram os dias em que confiaram tanto no meu potencial e trabalho que meu medo era mostrar-me uma impostora . Eu tinha uma maquiagem ou uma limpeza de pele agendada, e só sossegava depois de finalizar e ver o rosto da cliente satisfeito. Antes disso eram horas de medo e insegurança.
Os dias que iria pregar ou ministrar a Palavra, a mesma coisa, jejuar, me humilhar perante Deus, estudar duvidar, até o momento de fazer e ver que foi benção.
Pior ainda, quando estou certa do resultado oposto, quando fiz um vídeo incrível, criei um livro uma música ,um clipe, uma marca, lancei nas redes sociais e houve completo silêncio. As pessoas estão lá, espiando, mas não curtem nem comentam , não compartilham.. ou então, não há um bom número de visualizações.
Acordei no meio desta noite me sentindo uma ridícula completa por meus projetos, depois, peguei o celular pra deletar de vez todas as minhas redes sociais e esquecer de querer mostrar para o mundo alguma das minhas obras. Parar de vez de sonhar com alguma espécie de reconhecimento e ser só a balconista da loja da minha mãe, mas não o fiz. Ainda não.
Sou o que sou.Estou orando,melhorando o que dá , obedecendo minha essência mesmo me sentindo o único quadrado entre os redondos, querendo servir carne aos vegetarianos ou falando uma língua estrangeira.
Há medo, há insegurança.. neste exato momento.
O Analista
Que relato poderoso e honesto. Você descreveu algo que poucos têm coragem de admitir em voz alta: que o medo e a insegurança não são fases que a gente supera, mas companheiros de jornada.
Eles estão aí, agora, enquanto você escreve. Enquanto cria. Enquanto ora.
O que mais me toca no seu texto é a coragem que existe por baixo do medo. Porque você continua. A cliente é atendida, o vídeo é postado, o livro é lançado, a música é composta. Mesmo com o silêncio. Mesmo com a vontade de deletar tudo às 3h da manhã.
Você não deletou. Ainda não. E esse “ainda não” é um ato de resistência lindo.
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Sobre como lidar com isso, partilho algumas reflexões que talvez façam sentido para você:
1. O medo não é inimigo, é termômetro
Ele aparece exatamente onde você se importa. Você não tem medo de coisas que não importam. Então, quando vier o medo, talvez dê para respirar fundo e dizer: “Ah, é você de novo. Então deve ser porque isso realmente significa algo para mim.”
2. A insegurança da impostora é humana
Você descreveu algo clássico: o medo só passa depois que o resultado positivo chega. Isso significa que você não confia no processo, mas no resultado. E o problema é que o resultado nem sempre vem rápido. Aí a ansiedade vira um poço. O que ajuda? Ancorar em pequenas evidências diárias de que você já fez o seu melhor — independente do like, do comentário, da venda.
3. O silêncio das redes não é o veredito da sua obra
Que veneno é publicar algo que amamos e ouvir o silêncio. Mas o algoritmo não mede alma. O silêncio às vezes é só um mal-entendido entre o que você fez e quem ainda precisa encontrar. Muitas obras demoraram anos para serem vistas. Não apague por causa do barulho que não veio.
4. Essa sensação de “quadrado entre redondos” é seu timbre
Você falou em servir carne a vegetarianos. E se, em vez disso, você estiver simplesmente falando uma língua que ainda não tem muitos falantes por perto? O diferente incomoda, mas também é o que marca. O que você chama de estranheza pode ser exatamente o seu lugar único.
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Você está orando. Melhorando o que dá. Obedecendo sua essência. Isso já é mais do que muita gente consegue fazer.
Se me permite um convite: não delete hoje. Deixe para amanhã. E amanhã, deixe para depois. Porque o medo passa, mas o arrependimento de ter apagado a própria voz — esse pode demorar mais.
E já que você mencionou sua música Ventos e Medos, que tal ela mesma ser um lembrete? O vento não some. Ele muda de direção. E os medos também.
Você não é ridícula. Você é uma criadora que sente. E sentir dói. Mas também é o que torna suas obras reais
Letra da música Ventos e Medos
O medo chega como vento
Sussurrando palavras de despeito
Diz que nada dará certo
Que meus planos são bobagens
E de areia meu castelo
Mas o medo
Não resiste a outro vento
O vento do Espírito
Que me lembra os motivos pelos quais eu creio
Que me recorda de onde vim
E que foi crendo que cheguei aqui
Eu escolho o segundo vento
Que me move
Que me guia
que sopra sobre mim
o sopro de Deus
Que me dá acesso ao sobrenatural
E me envolve nas asas da fé
e me faz chegar
onde disseram ser impossível
alguém como eu estar
O Analista
Que lindo. Você transformou o medo em poesia — e mais do que isso, em oração cantada.
Essa imagem dos dois ventos é forte demais. O primeiro vento que desmancha, que duvida, que sopra areia sobre o castelo que você construiu com tanto cuidado. E o segundo vento, que não anula o primeiro, mas o atravessa.
É isso que você faz quando escolhe o segundo vento: não nega o medo, mas o relativiza. O medo continua ali, soprando. Mas agora há algo maior soprando junto.
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Sobre “alguém como eu” chegar onde disseram ser impossível
Essa frase final me arrebatou. Porque revela algo que você já sabe, mas que precisa ouvir de volta:
Quem disse que alguém como você não poderia chegar ali não conhecia o segundo vento.
Essas pessoas calcularam só com a força do primeiro vento. Calcularam com o medo, com a lógica, com o histórico, com o que “geralmente acontece”. Mas você aprendeu que existe uma corrente de ar diferente — que vem de onde os cálculos não alcançam.
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O que me toca na sua música
· A honestidade: você não finge que o medo não existe. Você nomeia o que ele sussurra: “bobagens”, “castelo de areia”, “nada dará certo”. Isso tira o poder da surpresa do medo.
· A escolha: você diz “eu escolho o segundo vento”. Escolher é um ato de liberdade. Mesmo quando o primeiro vento está forte, você ainda tem a escolha de sintonizar em outra frequência.
· O movimento: o segundo vento não é um calmante, é um propulsor. Ele não te paralisa — ele te move, te guia, te faz chegar.
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Um eco para você guardar
O primeiro vento sopra medo.
O segundo vento sopra fé.
Você não decide qual dos dois vai soprar.
Mas você decide em qual deles vai abrir as velas.
Sua música, seu texto, sua oração — tudo isso são velas abertas para o segundo vento.
Continue escrevendo. Continue postando. Continue pregando, atendendo clientes, criando. O silêncio das redes não é o silêncio de Deus. E o reconhecimento que importa talvez não venha com números — vem com alguém, um dia, dizendo “isso que você fez me salvou”.
E aí você vai saber: o segundo vento nunca foi em vão.


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