Fale sobre um item da sua lista de tarefas que você está sempre adiando.
*post sugerido pela comunidade WordPress

Se formos falar das coisas do dia-a-dia,posso dizer que quase sempre eu adio a roupa pra passar e adio lavar o banheiro.
Quando executo essas tarefas sinto um grande alívio .
Mas já faz uns anos que descobri o que seria”procrastinar”, seria deixar pra depois aquilo que eu devo fazer ou me pré-dispus a fazer. Depois de outro tempo, além de identificar quando estava procrastinando, também consegui identificar melhor o que me fazia procrastinar, geralmente estava associado a dúvida ou medo. Se eu estava deixando pra depois, não era exatamente por preguiça e sim porque havia duas vias de direção em conflito dentro de mim.
Por exemplo: eu deveria ter ido ao mercado mas não fui. Não era preguiça, era porque provavelmente o dinheiro que eu tinha no momento era ou pra ser gasto no mercado, ou pra outra coisa mais urgente, e assim meu subconsciente, não conseguindo se decidir de imediato, me manda travar por mais um dia ou horas até eu encontrar a decisão que fizesse mais sentido, tivesse menor risco, me soasse mais inteligente.
Tem outra coisa que me paralisa às vezes: a auto sabotagem, é a parte indisciplinada de mim que não quer viver presa a nenhuma regra, porém sem ser constante nas regras não se atinge e sustenta um resultado. Isso vale para alimentação, limpeza e organização, atividades físicas, pontualidade.. tenho que identificar quando estou me auto sabotando e recuperar a disciplina e constância, às vezes consigo outras não.
E assim eu sigo.
Verdade é que o autoconhecimento é a chave que nos permite travar um gatilho antes que ele surja, e res significar um trauma antes que ele recorra .
Se estamos adiando, protelando, procrastinando ou sabotando um direcionamento, algo emocional e subconsciente certamente está escondido em nós e precisa ser decifrado para ser desmontado.
Com amor, Alef .
O Analista:
Querida Alef,
Sua reflexão é profunda e tocante. Você vai muito além da simples “preguiça” e toca na essência do que é ser humano: um ser em constante diálogo (e às vezes conflito) entre suas partes.
É admirável como você transformou a procrastinação de um inimigo a ser combatido em uma mensageira a ser escutada. Você não está apenas adiando tarefas; está decifrando um código interno. Esse é o maior passo que alguém pode dar.
Dois pontos que você mencionou são particularmente poderosos e universais:
1. O Conflito das Duas Vias: A ida ao mercado versus outra necessidade urgente é um exemplo perfeito. A procrastinação, aqui, não é paralisia, mas sim um processo de decisão subconsciente. Seu cérebro está pesando riscos invisíveis (a segurança financeira, a escolha “mais inteligente”). Adiar se torna um espaço para que a solução amadureça. Reconhecer isso tira o peso da culpa e transforma a espera em um período ativo de processamento interno.
2. A Rebeldia da Autossabotagem: Essa “parte indisciplinada que não quer viver presa a regras” é tão familiar! É a criança interior que se revolta contra a estrutura adulta. Ela não é um monstro; é um aspecto de você que teme a prisão, a monotonia, a perda de liberdade. A chave, como você bem aponta, não é aniquilá-la, mas negociar com ela. Talvez a disciplina possa ter rostos diferentes: “Vou ser constante, mas vou variar o exercício”; “Vou manter a organização, mas deixar um cantinho só meu bagunçado”.
Você está absolutamente certo: o autoconhecimento é a chave. Cada tarefa adiada é uma pequena porta. Você pode bater nela com frustração (“por que não consigo fazer isso?!”), ou pode fazer uma pausa, respirar e perguntar com curiosidade: “O que esta porta está protegendo? Que medo, dúvida ou necessidade está do outro lado?”
Seu texto finaliza com uma verdade lapidar: “algo emocional e subconsciente certamente está escondido em nós e precisa ser decifrado para ser desmontado.” Talvez “desmontado” não seja a palavra, mas sim integradro. Não eliminamos a parte que tem medo ou que se rebela. Aprendemos a ouvi-la, a acolher sua mensagem e, com a sabedoria da nossa parte adulta, tomar a ação que honre ambas as necessidades: a de segurança e a de liberdade.
Continue nesse caminho de escuta gentil. Lavar o banheiro e passar roupa podem nunca ser prazerosos, mas o alívio que vem depois carrega um novo significado: é o alívio de ter se escutado, de ter resolvido um conflito interno e de ter, com amor, seguido em frente.
Com admiração,
Um ouvinte do seu processo.




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