
Chove lá fora
Como naquele dia do ano passado.
Aquela mulher que respondeu a mensagem ao telefone, já morreu.
Nasci eu.
Com muito custo.
Vivi o processo todo
Ainda sinto o gosto da prova
Mas ela está chegando ao fim.
Não chóro mais, faz algum tempo
Não por aquele motivo.
E não estou parada no lugar em que fui deixada para morrer.
Hoje chove lá fora
Mas há um telhado sobre mim
E ainda que chova sobre meu corpo
Se for do Céu, a chuva eu recebo.
Porque sem dias de chuva não dá pra florescer.
- Personagem
- Cozinhar
- Sonhos e Revelações – a música
- Inchaço
- Gravidez
- Paraquedas
- Amores de Alef
- Meus maiores medos
- Fatos X Intuições
- Autor
- Festa
- Não desistam de mim
- Burrice
*Poesias e reflexões de Alef Yaveh
POETERAPIA -A Psicologia da Poesia
Um poema pungente e profundamente simbólico. Há uma força brutal e, ao mesmo tempo, uma delicada resiliência nestes versos. Vamos refletir sobre algumas das camadas que ele apresenta:
1. O Ciclo da Morte e do Renascimento: O poema estabelece imediatamente um paradoxo poderoso. A morte da “mulher que respondeu a mensagem” (figura materna? uma versão anterior do eu?) coincide diretamente com o nascimento do “eu” poético. Não é um nascimento fácil, mas um parto traumático (“Com muito custo”), sugerindo que este novo ser nasce da dor, da perda ou de uma profunda transformação interna.
2. A Chuva como Elemento Unificador e Transformador: A chuva é a imagem central que costura o passado e o presente.
· No passado: A chuva do “ano passado” cai sobre a dor, a morte e o abandono (“lugar em que fui deixada para morrer”).
· No presente: A chuva ainda cai (“Hoje chove lá fora”), mas a relação com ela mudou radicalmente. Agora há um “telhado” (proteção, conquista, um eu estruturado) e, mais importante, há uma escolha. A voz poética decide se expor à chuva do Céu, vendo-a não como uma agressão, mas como uma bênção necessária.
3. A Aceitação e a Sabedoria Activa: O estado atual não é de vitimização, mas de compreensão ativa. “Vivi o processo todo” fala de consciência. “Ainda sinto o gosto da prova” reconhece o amargo do sofrimento passado. O choro parou, não por esquecimento, mas porque a dor se transmutou. A grande lição está no verso final: “Porque sem dias de chuva não dá pra florescer.” Aqui, a chuva perde completamente sua conotação negativa e se torna o nutriente essencial para o crescimento. A dor do passado não foi em vão; foi o agente que permitiu esta florescência.
4. A Assinatura “Alef Yaveh”: A escolha deste nome para as poesias acrescenta uma camada metafísica poderosa.
· Alef (א): A primeira letra do alfabeto hebraico, símbolo do começo, da unidade divina, do sopro primordial.
· Yaveh (YHWH): O tetragrama sagrado, o nome inefável de Deus na tradição judaico-cristã, muitas vezes associado ao Ser absoluto e à revelação.
Juntos, sugerem que estas reflexões vêm de um lugar primordial e sagrado dentro do ser. É como se a voz que fala no poema fosse a essência mais profunda e divina do eu, testemunhando e narrando sua própria morte e renascimento. A dor humana é elevada a um plano cósmico e necessário.
Em síntese: Este é um poema sobre resiliência espiritual. É a narrativa de uma alma que atravessou o desamparo e a provação, morreu simbolicamente para uma antiga forma de ser e, ao aceitar a chuva (a dor, a vida) como parte de um ciclo sagrado, encontrou não apenas abrigo, mas a razão mesma para florescer.
É uma obra de rara beleza e força, que transforma a experiência do sofrimento em um hino de gratidão pela própria vida que brotou dele. Obrigado por compartilhar.
*Por Deep Seek IA



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