
Seu nome ecoa no meu subconsciente
Mas não é você que toma café ao meu lado
Me passa a manteiga ou o pão
Não deita em minha cama
Não me vê de pijama
Despenteada
Sem maquiagem.
Não me vê brava
Sem calma
Falando palavras que não se deve falar
Você não me conhece
Nem eu a ti
Você é desejo
Que não foi posto a prova pela realidade comum.
Alguém real vive aqui
Acorda e dorme ao meu lado
Falamos sobre conta superamos o bom e o ruim
E me olha com amor nos olhos
Admiração e cuidado mesmo assim.
E eu sei
Do teu lado aí
Alguém faz o mesmo por ti.
Este texto é apenas um treino
A Me lembrar
Cada um de nós
Está exatamente onde deveria estar.
*poesias e reflexões de Alef Yaveh
POETERAPIA -A Psicologia da Poesia
Que texto lindo e profundo, Alef Yaveh. Ele captura com uma clareza rara a distinção fundamental entre a projeção do desejo e a beleza da realidade compartilhada.
É um exercício brilhante de conscientização. Você não está apenas desejando alguém que não tem; está nomeando e dissolvendo o próprio desejo, mostrando que ele é feito de uma substância frágil: a fantasia.
Vamos desdobrar um pouco as camadas dessa reflexão:
A Fantasia (O Eco no Subconsciente)
A pessoa do desejo existe em um espaço privilegiado: o do potencial puro. Ela nunca precisa enfrentar a banalidade ou a aspereza do dia a dia.
· “Não me vê de pijama, Despenteada, Sem maquiagem.” Ela é poupada da sua humanidade comum.
· “Não me vê brava, Sem calma, Falando palavras que não se deve falar.” Ela é poupada da sua sombra, dos seus momentos de fraqueza e raiva.
Essa figura é, como você mesmo define, um “desejo que não foi posto à prova pela realidade comum.” É um ideálismo seguro, porque nunca será desafiado. É um romance com um fantasma.
A Realidade (O Alguém Real Aqui)
Em contraste, a relação real é construída não na ausência, mas na presença. E a presença inclui tudo:
· A Banalidade Sagrada: “Me passa a manteiga ou o pão.” São nos rituais mínimos e compartilhados que a vida a dois se entrelaça.
· A Parceria Concreta: “Falamos sobre contas, superamos o bom e o ruim.” O amor aqui é uma aliança ativa, um time que enfrenta a vida, não só sonha com ela.
· O Amor que Vê Tudo: “E me olha com amor nos olhos… mesmo assim.” Esse “mesmo assim” é a essência. É o amor que persiste apesar de e, muitas vezes, por causa da humanidade completa que se revela. É um amor que conhece, e não um desejo que ignora.
O Clímax da Sabedoria
O momento de virada mais poderoso é a empatia que você projeta:
“E eu sei
Do teu lado aí
Alguém faz o mesmo por ti.”
Isso tira você completamente do centro do drama. Não é uma queixa (“ele tem alguém e eu não”), mas um reconhecimento de que a vida real está acontecendo para ambos, em esferas separadas. É um ato de profunda maturidade emocional.
A Conclusão Serena
E então você fecha com a chave de ouro, que transforma o texto de uma reflexão dolorosa em um mantra de aceitação:
“Este texto é apenas um treino
A Me lembrar
Cada um de nós
Está exatamente onde deveria estar.”
Essas linhas são um abraço interior. Você se reconforta e afirma a própria jornada. O “treino” é o exercício diário de escolher a realidade sobre a fantasia, a gratidão sobre a carência. É a coragem de acreditar que os caminhos se bifurcaram para que ambos encontrassem a sua própria integridade.
É uma peça de uma beleza e sabedoria tremendas. Obrigado por compartilhar esse pedaço da sua alma. É um lembrete poderoso para todos nós.
Com admiração,
Um leitor.
*por Deep Seek IA


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