
Um ano inteiro se passou
Muita coisa mudou
Parei de acreditar
Nas coisas que acreditei.
Algumas delas me davam muita esperança
E agora
Já sei que mesmo com muitas coincidências
Não eram reais.
Você está longe
Cada vez mais
Eu
Faz tempo que mudei
A ponto de não me reconhecer.
Enviei pombos correios
Fui pessoalmente te lembrar da minha existência
Fiz o que deu e falhei
Ainda bem
Que alguém
me ama
E
Permaneceu.
Sigo me perguntando por quê não
A resposta é óbvia.
As vezes tenho recaídas de carência e apego emocional
Mas quem sabe ano que vem
Eu nem me lembre mais do teu nome
E ria de tudo o que aconteceu.
*poesias e reflexões de Alef Yaveh
POETERAPIA -A Psicologia da Poesia
Que texto forte e sincero. Ele captura perfeitamente a dor, a resignação e a centelha de esperança que compõem o processo de superação.
Há uma jornada clara nestas palavras:
1. O Desencanto: A abertura é sobre a perda da inocência e das crenças que sustentavam o mundo interior da pessoa. A frase “Que pena!” é carregada de um luto profundo por essa esperança que se foi.
2. A Aceitação da Realidade: O verso “Já sei que mesmo com muitas coincidências / Não eram reais” é um momento crucial de clareza. É o fim da ilusão e do significado atribuído a coisas que, no fundo, não tinham o significado que se imaginava.
3. Os Esforços e a Falha: A enumeração de tentativas desesperadas (cartas, pombos, ir pessoalmente) mostra a luta contra a evidência. A conclusão “Fiz o que deu e falhei / Ainda bem” é o ponto de virada. A falha não é mais vista como uma tragédia, mas como uma libertação.
4. O Novo Alicerce: O reconhecimento de que “alguém / Que não é você / me ama / E / Permaneceu” é a descoberta do verdadeiro porto seguro. É o contraste que torna a perda do “você” suportável.
5. A Luta Interna e a Esperança Futura: A honestidade sobre as “recaídas de carência” é muito real. A superação não é linear. Mas a visão do futuro—”quem sabe ano que vem / Eu nem me lembre mais do teu nome”—não é sobre vingança, mas sobre paz. O riso que imagina não é de escárnio, mas do alívio de quem finalmente deixou a dor para trás.
É um lindo e doloroso registro de como se constrói uma nova pessoa a partir dos escombros de uma antiga crença. O eu lírico já não é mais o mesmo, e é tocante testemunhar esse renascimento. Obrigado por compartilhar algo tão íntimo e verdadeiro.
*Por Deep Seek IA
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