Códigos Das Minhas Emoções

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Rainha

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Não é possível que se chegue a tanto.

Como posso?

Depois de tudo

Querer-te?

Pensar-te?

Sentir esperança?

Que obsessão e que tolice!

Que teimosia e que delírio!

Que mundo louco este meu submundo

Subconsciente

De sub afeto Secreto.

Que viela sem rumo

Que bêco duvidoso

Que promiscuidade mental

Me submeto eu

Tão bela e sábia ,

Como se saísse dos palácios de luxo

Revestida de cristais e pedrarias

Pra habitar as esquinas sujas

Revirando lixos

Comendo bolotas

De um lugar qualquer.

Como se fosse rainha

E me fizesse meretriz

Nua ,sem respeito e sem valor.

Ah que tolice a minha.

Perder tudo por um suposto amor.

*poesias e reflexões de Alef Yaveh

POETERAPIA -A Psicologia da Poesia

Este é um poema intenso e profundamente honesto, que captura a essência de um conflito interno devastador. A voz lírica expõe, com uma crueza admirável, a guerra entre a razão e a emoção, entre o amor próprio e a obsessão.

Vamos desdobrar algumas das camadas que o compõem:

Análise do Poema

1. A Estrutura do Conflito:
O poema começa com uma negação e uma série de questionamentos angustiados:”Não é possível”, “Como posso?”. Isto estabelece imediatamente o tom de incredulidade perante os próprios sentimentos. A razão não consegue aceitar a profundidade do afeto (“Depois de tudo / Querer-te?”), tornando-o uma “tolice” e um “delírio”.

2. A Imagem do Submundo:
A metáfora do”submundo / Subconsciente / De sub afeto Secreto” é central. Ela pinta o sentimento como algo subterrâneo, oculto, talvez até vergonhoso. Não é um amor que vive à luz do dia, mas um que habita as sombras da psique, um “lugar qualquer” da mente.

3. A Queda da Rainha à Meretriz:
Este é o núcleo dramático do poema.A dicotomia “rainha” / “meretriz” é poderosa e dolorosa:

· A Rainha: Representa o eu em seu estado de dignidade, sabedoria, valor e autoestima. Alguém que “sai dos palácios de luxo”, revestida de sua própria importância.
· A Meretriz: Representa a auto-degradação. É o eu que se submete, que se esvazia de respeito e valor (“Nua, sem respeito e sem valor”), revirando o lixo emocional em troca de migalhas de afeto (“Comendo bolotas”).

Esta é uma das descrições mais vívidas do que significa perder a própria essência por um amor não correspondido ou tóxico. É a sensação de trair a si mesmo.

4. A Linguagem e o Ritmo:
O uso de repetições(“Que obsessão e que tolice! / Que teimosia e que delírio!”) imita o remoer de um pensamento obsessivo. As interjeições (“Ah que tolice a minha!”) soam como suspiros de desespero e autocrítica. A linguagem é direta, cortante, sem ornamentos desnecessários, o que reflete a raw emoção do momento.

Reflexão Final

O poema de Alef Yaveh não é apenas sobre um amor não correspondido; é sobre a dissonância entre quem somos e por quem nos tornamos por amor (ou pela ideia de amor). É um grito contra a própria vulnerabilidade, uma constatação amarga de que, por mais “sábia e bela” que uma pessoa seja, o coração pode levá-la a habitas as “esquinas sujas” da própria mente, abdicando de seu trono em troca de um “suposto amor”.

É uma peça de uma beleza trágica e desoladora, que ressoa com qualquer um que já tenha se sentido diminuído por seus próprios sentimentos.

Alef Yaveh pergunta:Com quais trechos bíblicos este poema conversa e ressoa?

Deep Seek responde:

Excelente pergunta. A linguagem do poema de Alef Yaveh, com seu tom de conflito interior, autodepreciação, degradação autoinfligida e a sensação de uma queda catastrófica de um estado de graça, ressoa profundamente com um trecho específico do Livro de Oséias, no Antigo Testamento.

O diálogo mais forte é com a metáfora central do profeta Oséias.

O Trecho Bíblico Principal: Oséias e a Esposa Infiel

Deus ordena que o profeta Oséias se case com uma mulher que se tornará prostituta (Gômer), como um símbolo vivo do relacionamento de Israel com Deus. Israel, amado e cuidado por Deus (a rainha), havia se voltado para a idolatria e o culto a Baal (a meretriz).

A passagem que mais ecoa no poema é a descrição da queda e a promessa de restauração, que carrega a mesma dor e o mesmo paradoxo:

Oséias 2:2-5, 13 (NVI)

“Contendam com sua mãe, contendam, pois ela não é mais minha mulher, e eu não sou mais seu marido… para que eu não a deixe nua e a exponha como no dia em que nasceu… Não amarei seus filhos, porque eles são filhos de adultério. A mãe deles foi infiel e ficou envergonhada. Ela disse: ‘Irei atrás de meus amantes, que me dão comida, água, lã, linho, azeite e bebida’… Ela se esquecerá de mim e quebrará a aliança que fiz com ela.”

Oséias 2:13
“Castigarei os dias em que ela queimou incenso aos baalins, e se enfeitou com suas argolas e suas joias, e andou atrás de seus amantes, e se esqueceu de mim, diz o SENHOR.”

Por que este trecho ressoa?

· A Queda da Dignidade para a Vergonha: Assim como a voz lírica do poema se vê como uma rainha que se fez meretriz, Deus, através de Oséias, descreve Israel como uma esposa amada que se torna uma adúltera pública, exposta e envergonhada.
· A “Promiscuidade Mental” como Idolatria: No poema, a “promiscuidade mental” é a obsessão por um “suposto amor”. Em Oséias, a idolatria é frequentemente descrita como adultério espiritual—uma troca insana do amor divino por algo falso e degradante (“comendo bolotas” vs. o banquete do Senhor).
· A Autodepreciação Racional: O poeta chama a si mesmo de tolo e teimoso. Da mesma forma, a narrativa de Oséias é um longo “contender” ou debate de Deus com seu povo, mostrando a insensatez de trocar a Fonte pela poça d’água.

Outras Ressonâncias Bíblicas:

1. O Conflito de Paulo em Romanos:
A luta entre o que se sabe ser correto e o que se faz contra a própria vontade também é um eco potente.

Romanos 7:15, 18-19 (NVI)
“Não entendo o que faço. Pois não faço o que desejo, mas o que odeio…. Pois sei que nada de bom habita em mim, isto é, na minha carne. Porque tenho o desejo de fazer o que é bom, mas não consigo realizá-lo. Pois não faço o bem que desejo, mas o mal que não quero fazer, esse eu continuo fazendo.”

O “Como posso? … Que teimosia e que delírio!” do poema captura exatamente essa angústia paulina.

2. As Lamentações de Jerusalém:
O Livro das Lamentações chora a queda de Jerusalém(a princesa que se tornou escrava), uma imagem que se conecta com a rainha do poema que revira lixo.

Lamentações 1:1-2 (NVI)
“Como está deserta a cidade, outrora tão populosa! A que era princesa entre as nações está agora como viúva… Ela chora amargamente de noite, com lágrimas correm seu rosto. Dentre todos os seus amantes, ninguém vem consolá-la. Todos os seus amigos a traíram e se tornaram seus inimigos.”

Conclusão:

A linguagem do poema de Alef Yaveh ressoa mais fortemente com a dor e a linguagem profética e poética de Oséias. Ele atualiza a metáfora bíblica do adultério espiritual para o plano dos afetos humanos, mostrando que a mesma estrutura de queda, a mesma tolice de trocar o essencial pelo ilusório, e a mesma guerra interior entre o valor próprio e a degradação autoinfligida estão presentes tanto na relação divina quanto no mais secreto “submundo” do coração humano.

O poema é, em essência, um Oséias pessoal, onde o profeta e a esposa infiel são a mesma pessoa, lutando dentro de um único peito.


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