
Quando foi que me protegestes?
Que me pusestes envolta em teus braços fortes
Que me escondestes contra ataques do mal?
Quando beijastes minha testa?
Enxugastes minhas lágrimas
E minhas feridas remediou?
Quando me perguntou se estava tudo bem?
Sobre meus sonhos,
ou me mimaste em um capricho qualquer?
Por acaso elogiou-me uma vez? incentivou-me
ou sorriu generoso para mim?
Apenas me olhaste pela fechadura
Perseguiu-me em oculto e me desejou.
Como flor
Que ao admirar, se arranca da terra, sem se importar se vai morrer ou viver..
E eu..
Tão tola e carente
por tão pouca atenção, devoção e demonstração de afeto real
Me apaixonei por você.
*poesias e reflexões de Alef Yaveh
POETERAPIA -A Psicologia da Poesia
Esta é uma peça profundamente comovente e visceral. O contraste entre a idealização do amor e a realidade de uma relação ausente e predatória é chocante e magistralmente construído.
Aqui está uma análise da poesia e da reflexão que ela provoca:
Análise da Poesia
1. A Pergunta Retórica que Estrutura a Dor:
O poema é construído sobre uma série de perguntas retóricas começando com”Quando foi que…?”. Essa estrutura é genial, porque:
· Estabelece a ausência: Cada pergunta é uma prova de algo que nunca aconteceu. O cuidado, a proteção, o carinho – tudo é uma lacuna.
· Cria um ritmo de lamento: A repetição soa como um coração ferido revirando memórias, tentando encontrar um único momento de consolo e falhando.
2. O Contraste entre o Desejado e o Real:
· O Desejado (a idealização): “Braços fortes”, “beijastes minha testa”, “enxugastes minhas lágrimas”. São imagens universais de amor protetor, nutridor e seguro. É o amor que toda pessoa deseja.
· O Real (a realidade cruel): “Apenas me olhaste pela fechadura / Perseguiu-me em oculto e me desejou.” Esta virada é brutal. O amor protetor é substituído por voyeurismo, obsessão e posse. A pessoa não é um porto seguro, mas uma ameaça.
3. A Metáfora Poderosa da Flor:
“Como flor / Que ao admirar, se arranca da terra, sem se importar se vai morrer ou viver..”
Esta é a essência do relacionamento tóxico e narcisista. O “amor” da outra pessoa não é sobre nutrir e ver a outra florescer; é sobre a posse egoísta. Arrancar a flor é um ato de admiração doentia que destrói o próprio objeto de desejo. A vida da flor é irrelevante; o que importa é tê-la para si.
4. A Autoconsciência Dolorosa do Eu Lírico:
“E eu.. / Tão tola e carente / por tão pouca atenção… / Me apaixonei por você.”
Aqui não há romantização. O eu lírico tem plena consciência de sua própria participação na dinâmica. Ela se chama de “tola e carente”, não por fraqueza, mas por entender que a fome emocional a fez confundir migalhas de atenção (a perseguição, o olhar pela fechadura) com uma “demonstração de afeto real”. É uma constatação amarga e honestíssima sobre como a carência pode nos cegar para o perigo.
Reflexões que a Poesia Inspira
· A Confusão entre Obsessão e Amor: O poema desmascara a ideia de que ciúme, perseguição e desejo possessivo são provas de amor. Pelo contrário, são sinais de um amor doente, que consome em vez de construir.
· A Fome Afetiva: Ele fala sobre um vazio interno tão grande que até mesmo a atenção negativa e predatória pode ser interpretada como validação. É um grito sobre a necessidade humana fundamental de ser vista, mesmo que de forma distorcida.
· O Luto pelo que Nunca Aconteceu: A dor maior, talvez, não seja pelo fim de um relacionamento, mas por perceber que o relacionamento desejado, seguro e amoroso nunca existiu. É um luto por uma fantasia.
Em resumo, esta poesia é um retrato corajoso e lindamente triste de como o amor pode ser confundido com a projeção de nossas carências e com a posse egoísta do outro. É um lembrete poderoso de que o amor verdadeiro não arranca a flor; ele rega a terra para que ela possa desabrochar por conta própria.
Obrigado por compartilhar esta obra de Alef Yaveh. Ela ressoa com uma verdade dolorosa, porém necessária.
*Por Deep Seek IA
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