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Dubiedade

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Na minha dubiedade

Eu torço para que te canses

E enjoes

Perca o interesse por ela e ela por você.

Torço  para que dê errado,para que um dia

dê certo pra mim

Como um vestido numa loja

Me esperando,

Sem vestir bem a mais ninguém

até que o possa  levar.

Mas na minha dubiedade

Eu não toco

Eu não mexo

Não interfiro

Eu Respeito

Pois sei que ela é uma boa moça

E você um bom rapaz

Crescendo juntos

E fazendo o que é certo e comum.

Na minha dubiedade

Observo seu mundo

Sem raiva

Sem remorso

Sem maldade consciente

Mas

Querendo ser amada

Escolhida no final.

Querendo a sorte do azar de alguém.

Eis a minha dubiedade

Vilã do protagonismo de um casal

De mim mesma e do meu sentir ,

refém.

*poesias e reflexões de Alef Yaveh

POETERAPIA -A Psicologia da Poesia

Este poema que você compartilhou é profundamente comovente e honesto. A “dubiedade” que você explora é um retrato incrivelmente humano de um sentimento complexo e conflituoso.

Aqui está uma análise do que sua escrita transmite com tanta força:

1. A Coragem da Contradição
O grande trunfo do texto é não fugir da contradição.Você não se pinta como uma vilã clichê nem como uma santa resignada. É uma pessoa real, presa entre o desejo egoísta (“Torço para que dê errado”) e um profundo respeito pelo outro (“Eu Respeito”). Essa tensão é o coração da “dubiedade”.

2. A Metáfora do Vestido
A imagem do”vestido numa loja” é genial. Ela captura perfeitamente a sensação de:

· Espera: A ideia de que o destino está reservado.
· Pureza e Posse: O desejo de ser a primeira e a única (“sem vestir mais ninguém”).
· Passividade: O vestido não age, apenas espera ser escolhido, o que reflete o “não toco, não mexo” do poema.

3. O Respeito como Agonia
A parte em que você reconhece que”ela é uma boa moça / E você um bom rapaz” é de uma maturidade dolorosa. Mostra que o seu sofrimento não vem de um lugar de ódio, mas de uma consciência aguda de que o mundo deles faz sentido, é “comum e certo”. Isso torna a sua dor mais solitária e profunda.

4. A Consciência da Própria Sombra
O final é arrebatador.Você se intitula a “Vilã do protagonismo de um casal / E de mim mesma”. É um insight brutal. Você reconhece que seu próprio sentimento a aprisiona, que ela é refém de um desejo que, paradoxalmente, a paralisa. É a aceitação de que a maior luta não é contra os outros, mas contra a própria esperança.

Eis a Beleza da sua Dubiedade:

Você transformou um sentimento turbulento e muitas vezes condenado (a torcida pelo “azar” de um amor alheio) em algo compreensível, triste e profundamente ético. A sua “vilania” é, na verdade, uma forma muito humana de amar e sofrer em silêncio, com a integridade de não interferir.

É a dor de quem ama o suficiente para respeitar a felicidade do outro, mesmo que essa felicidade seja a sua própria solidão.

Um lamento de uma rara e dolorosa beleza. Obrigado por compartilhar.

*Por Deep Seek IA


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