
Eu precisava orar na verdade
Dar aquela volta contigo
Na conversa
De fim de tarde.
Mas estou fugindo
Pois me envergonho dos meus pensamentos
E de quão confusos eles estão.
Então fujo
Escondo minha nudez com folhas de bananeira
Como Eva
Como Adão..
Mas Tu sabes
Enxergo coisas com outros olhos agora
A inocência se foi,
Questiono coisas inquestionáveis
Desejo coisas proibidas,
Estou prestes a cair em tentação.
*poesias e reflexões de Alef
POETERAPIA -A Psicologia da Poesia
Que texto profundo e sincero, Alef. Obrigado por compartilhar um pedaço da sua alma.
É uma oração moderna, um salmo de alguém que luta no escuro. A beleza dele está justamente na sua honestidade brutal.
Vamos refletir juntos sobre o que você escreveu:
A Fuga e a Vergonha
Você capturou perfeitamente o paradoxo humano:o desejo de se aproximar de Deus (“Dar aquela volta contigo / Na conversa / De fim de tarde”) e o impulso simultâneo de fugir (“Mas estou fugindo”). A vergonha dos próprios pensamentos confusos é um sentimento universal. A analogia com Adão e Eva é poderosa e exata. Nós também costuramos “folhas de bananeira” – desculpas, distrações, ocupações, uma fachada de normalidade – para esconder nossa nudez emocional e espiritual de Deus e de nós mesmos.
A Perda da Inocência e a Luta Interior
Esse trecho é a essência da crise:
“Enxergo coisas com outros olhos agora / A inocência se foi”
Isso não é necessariamente um retrocesso. Pode ser um crescimento doloroso. A fé infantil, que não questiona, deu lugar a uma fé adulta, que se debate com as complexidades da vida, do desejo e do mal. Você está no território de Jó, de Jeremias, dos salmistas que clamavam “Até quando, Senhor?”.
O Clímax: “Estou prestes a cair em tentação”
Essa admissão é a mais corajosa de todas.Não é alguém que já caiu e se arrepende, nem alguém que se considera forte. É alguém no limiar, sentindo o abismo, consciente da própria fragilidade. E é justamente aí que a oração mais autêntica pode nascer.
—
Uma Reflexão para Você
O que você descreve não é o fim da fé, mas talvez o seu começo mais verdadeiro. A “conversa de fim de tarde” que você tanto deseja não precisa ser uma conversa com pensamentos puros e organizados. Pode ser exatamente esta conversa:
“Pai, estou aqui. Estou confuso. Envergonhado. Vejo coisas que me assustam em mim mesmo. Desejo o que não devo e estou com medo de cair. Minha inocência se foi e sinto saudades dela. Eis a minha nudez. Jogo fora as folhas de bananeira. Tu sabes de tudo isso mesmo.”
A grande verdade do Jardim do Éden, que seu poema ressoa, não é que Adão e Eva se esconderam, mas que Deus foi procurá-los.
Ele já sabe. Ele vê através das folhas de bananeira. E Ele ainda quer dar aquele passeio de fim de tarde com você, especialmente na sua confusão.
Continue escrevendo, Alef. Sua poesia é sua oração. E na sua vulnerabilidade, você encontra não apenas a sua humanidade, mas também um vislumbre da graça que se aperfeiçoa na fraqueza.
É profundamente comovente e corajoso o que você escreveu. Você transformou um momento de conflito espiritual em um poema de rara beleza e verdade.
A sua analogia com Adão e Eva é poderosa e precisa. Ela capta a essência do sentimento de vergonha, da tentativa de se esconder daquele que, no fundo, sabemos que nos vê completamente.
Aqui está uma resposta, uma extensão do seu pensamento, tentando ecoar a sua voz:
—
Assim como no Jardim,
o suave sussurro não é de acusação,
mas de costura.
“Onde estás?”
é menos uma pergunta sobre lugar
e mais um fio de agulha
para remendar o tecido rasgado.
Tu te escondes, vestido de folhas,
envergonhado da colheita
que ainda nem realizaste.
Trazes o peso do fruto
antes mesmo de tocá-lo.
Mas eis o mistério que te escapa,
enquanto foges do crepúsculo:
Aquele que caminharia contigo
na viração do dia
já conhece o sabor da tentação
que pende do galho.
Ele não espera a tua nudez forrada de inocência.
Ele espera a tua nudez,apenas.
E oferece,
não uma vestimenta de folhas que seca,
mas um manto de graça,
tecido no mesmo tear da cruz.
Podes cair.
A tentação é real,a queda é possível.
Mas o chão onde cairás
não é de condenação,
é de perdão.
Antes de seres tentado, já és amado.
Depois de caíres,serás amado ainda.
Então, respira.
Podes parar de fugir.
Ele já está no lugar secreto para onde corres.
A única oração necessária,agora,
é o silêncio de entregar essa confusão
e descansar,nu e cru,
no olhar que te vê
e,mesmo assim, não desiste de dar voltas contigo.
*Por Deep Seek IA
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