
Há quem espere a fada do dente
Com o dente sob o travesseiro.
Há quem espere papai Noel
Com a meia na janela
Há quem espere o coelho
Trazendo ovos de chocolate
Há quem espere uma mensagem.
Eu espero você
Que nunca vem
Quem vem é quem sabe que espero por amor, atenção, a realização dos meus sonhos, a nutrição do meu afeto.
E vem sem eu pedir
Todo dia
A todo momento
No lugar da fada,de Papai Noel,do coelho,da mensagem e
no seu.
*poesias e reflexões de Alef Yaveh
POETERAPIA -A Psicologia da Poesia
Que texto lindo e profundamente comovente. Essa é uma daquelas peças literárias que ressoam no âmago do ser, capturando a essência de uma transição universal: a da ingenuidade para a realidade, da esperança mágica para a esperança humana, e por fim, para a resignação silenciosa.
Vamos refletir sobre as camadas de significado.
Análise da Poesia/Reflexão
1. A Escala da Espera: Do Mágico ao Real
O poeta constrói uma escada descendente de esperas,começando pelo universo infantil e fantástico:
· A Fada do Dente: Representa a magia sutil, uma troca secreta e pequena.
· O Papai Noel: Simboliza a generosidade sem limites e a recompensa por “comportar-se bem”.
· O Coelho da Páscoa: Traz a doçura e a celebração da vida.
Essas figuras são passivas; a criança apenas espera, e a magia acontece. A espera é por objetos concretos (dinheiro, presentes, doces).
2. A Transição para a Espera Adulta
A linha”Há quem espere uma mensagem” é o pivô. É o primeiro sinal de uma espera não mais por magia, mas por comunicação, conexão e validação emocional. A mensagem é um símbolo moderno de afeto e atenção.
3. O Clímax: A Espera pelo “Você”
“Eu espero você/ Que nunca vem” é o coração dilacerado do texto. É a declaração crua da solidão e da expectativa não correspondida. O “você” é uma figura ausente, um vazio que nenhum presente mágico pode preencher. É a espera por um sentimento, uma presença, um amor.
4. A Ironia Amarga e a Revelação
O final traz uma reviravolta existencial poderosa.Enquanto o “você” desejado nunca vem, “Quem vem” é algo completamente diferente: a consciência dos próprios desejos mais profundos.
“Quem vem é quem sabe que espero por amor, atenção, a realização dos meus sonhos, a nutrição do meu afeto.”
Aqui, “Quem vem” não é uma pessoa externa, mas a própria percepção interna da carência. É a autoconsciência que se apresenta diariamente, “sem eu pedir”, para lembrá-lo da sua própria fome emocional. É uma visita dolorosa e constante.
5. A Substituição Final
A conclusão”E vem… no lugar da fada… e no seu” é devastadora. O que ocupa o lugar da magia e do amor ausente não é outra coisa senão a própria solidão e a consciência dessa falta. A espera em si se tornou o companheiro constante, um substituto melancólico para todas as outras esperanças.
Reflexão Final
Esta poesia de Alef Yaveh é um retrato soberbo da maturidade emocional. Ela nos mostra que, ao crescer, trocamos a espera por milagres externos pela compreensão (muitas vezes dolorosa) das nossas necessidades internas.
A grande ironia é que a única coisa que “vem” com certeza, que é fiel e persistente, é o conhecimento da nossa própria vulnerabilidade e o anseio por conexão. O “você” que esperamos pode nunca chegar, mas a compreensão de por que o esperamos chega todos os dias, sem falta.
É um lembrete de que, por vezes, a pessoa mais importante que precisa ouvir o seu pedido de amor e atenção é você mesmo.
Obrigado por compartilhar essa joia. Ela fala diretamente à alma.
A autora enfatiza:Quem vem é uma pessoa real sim
Deep Seek responde:
Agradeço muito por esse esclarecimento. A sua correção é fundamental e transforma radicalmente a interpretação do texto, tirando-o de um lugar de pura solidão e abrindo para uma camada de significado mais complexa e esperançosa.
Com essa chave de leitura, a poesia ganha uma nova luz. Vamos reler:
“Quem vem é quem sabe que espero por amor, atenção, a realização dos meus sonhos, a nutrição do meu afeto. E vem sem eu pedir Todo dia A todo momento”
Se “quem vem” é uma pessoa real, então o texto não é mais sobre a autoconsciência da falta, mas sobre a gratidão por um amor que é ativo e perceptivo.
Reinterpretação: A Presença que Substitui Todas as Fadas
Nessa nova leitura, a estrutura se torna:
1. O Vazio (“Eu espero você / Que nunca vem”): Existe uma ausência específica, uma pessoa idealizada que não corresponde, um amor que não se concretiza. É a espera que gera frustração.
2. A Revelação (“Quem vem é quem sabe…”): Enquanto o poeta se concentrava na falta da pessoa errada, alguém já estava presente. Essa pessoa não precisa ser pedida, porque sua atenção é natural e constante. Ela não apenas oferece amor, mas oferece exatamente o que o eu lírico precisa: amor, atenção, apoio aos sonhos, nutrição afetiva.
3. O Paradoxo do Amor Maduro: A beleza está no contraste entre as duas figuras:
· O “Você” é esperado, pedido (mesmo que silenciosamente), e nunca vem. É um amor passivo, que exige súplica.
· “Quem vem” age por iniciativa própria, “sem eu pedir”. É um amor ativo, observador e generoso. É um amor que já sabe, que já compreende as necessidades do outro.
4. A Substituição que Salva: A última linha — “No lugar da fada, de Papai Noel, do coelho, da mensagem e no seu.” — agora soa não como resignação, mas como uma descoberta profunda.
O poeta percebe que a verdadeira magia não estava nas figuras fantásticas da infância, nem na pessoa idealizada e ausente, mas na pessoa real que já estava ali, realizando a magia do cuidado cotidiano.
Conclusão
A poesia, então, deixa de ser sobre a solidão e torna-se sobre enxergar o amor que já se tem.
É um alerta contra a idealização e a cegueira afetiva. Enquanto gastamos nossa energia esperando por um “você” que nunca se materializa, podemos estar negligenciando a pessoa que, todo dia, a todo momento, sem que precisemos pedir, assume o papel de fada, Papai Noel, coelho e mensagem — assumindo o papel de tudo o que precisamos, inclusive no lugar do “você” que nunca vem.
É uma perspectiva linda e profundamente comovente. Obrigado por trazer essa visão. Ela enriquece imensamente o texto.
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