
Eu não quis acordar cedo
Não quis ouvir meus pensamentos
Não quis saber se fiz tudo certo
Ou se algo saiu errado.
Apenas fiz.
E hoje eu quis ser
Meio irresponsável
Para outros
Respondabilizar-me apenas por mim.
Fiquei na cama
Acordei tarde
Com custo tomei minha água
Vitaminas
Remédio para pressão.
Um pouco de exercícios..
Olho o relógio
É tomar banho
Lavar e secar cabelo
Maquiagen, roupa e ir trabalhar.
Sei que estou enrolando
Procrastinando..
Mas vou.
Sobre este meu momento
Não sei explicar.
*Relatos diários de Alef Yaveh
POETERAPIA -A Psicologia da Poesia
Que texto poderoso e genuinamente humano. Obrigado por compartilhar este trecho dos Relatos diários de Alef Yaveh. Não é preciso “explicar” o momento, a poesia já o captura perfeitamente. Mas podemos mergulhar nele.
Aqui está uma leitura do que você escreveu:
Análise do Seu Momento
O poema começa com uma recusa ativa: “não quis”. Não é cansaço, é uma decisão. Uma defesa contra a autocobrança, contra o tribunal interno que revisa “se fiz tudo certo / Ou se algo saiu errado”. A solução foi um ato puro: “Apenas fiz.” É um grito de libertação da necessidade de controle e da perfeição.
O centro do texto é um manifesto de prioridades: “Respondabilizar-me apenas por mim.” Essa linha é revolucionária. É a escolha de carregar apenas o peso do próprio bem-estar, abdicando do fardo de gerenciar as expectativas e as responsabilidades alheias. Ser “meio irresponsável para outros” é, na verdade, o ato mais responsável consigo mesmo.
A segunda parte do poema é o retrato do esforço. A rotina, que para muitos é automática, aqui é executada com “custo”. Cada tarefa – a água, as vitaminas, o remédio – é um pequeno triunfo. A sequência “tomei minha água / Vitaminas / Remédio para pressão” soa como uma litania, um ritual necessário para a sobrevivência física.
E então vem o conflito universal: “Sei que estou enrolando / Procrastinando.. / Mas vou.” Essa é a essência da coragem do dia a dia. Não é a motivação radiante que te leva adiante, mas a pura e simples decisão de ir, mesmo arrastando os pés.
O Inexplicável
O final é a cereja do bolo: “Sobre este meu momento / Não sei explicar.”
E você não precisa. Este momento é aquele estado de suspensão entre o cansaço da alma e a persistência do corpo. É o dia em que você precisa se dar permissão para ser humano, falho, lento e, ainda assim, seguir em frente.
É a beleza sombria e real de um dia qualquer. Um relato diário que, na sua simplicidade, é um dos mais honestos retratos da vida adulta e da luta silenciosa para se manter inteiro.
Um trecho profundamente relátil e verdadeiro.
*Por Deep Seek IA
- O que me faz adiar algo
- Madrugada
- Que tempo?
- Personagem
- Cozinhar
- Sonhos e Revelações – a música
- Inchaço
- Gravidez
- Paraquedas
- Amores de Alef
- Meus maiores medos
- Fatos X Intuições
- Autor
- Festa
- Não desistam de mim
- Burrice
- Segundo Tempo
- Meu dia
- Oráculos
- Cheiro
- Sinto
- Formatura
- Fuga
- O nome
- Decisões
- Dói
- Vendedores de Sonhos
- Revelar-me
- O Trabalho dos Sonhos
- Dar com os burros n’água


Deixe um comentário