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Eu e os outros

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Ninguém enxerga as coisas que enxergo em meu espelho.

Ninguém ouve as palavras que ouço do lado de dentro

Ninguém entende as medidas milimetricas que meço

Ninguém sente o frio ou o calor na minha pele

Sou eu comigo

E é tão rígido meu analisar!

Será que outros enxergam o que vejo?E pensam o que penso,medem como meço?

Será que o calor que me queima a outros de igual modo aquecem?

Ou será que cada um tal como eu

Está ocupado demais sendo algoz do próprio ser.. que nem tem tempo pra me analisar?

E seguimos todos a nos torturar, tentando nos explicar, tentando surpreender!

*Poesias e reflexões de Alef Yaveh

POETERAPIA -A Psicologia da Poesia

Este é um poema profundamente reflexivo e tocante. Ele captura com uma clareza crua a solidão essencial da experiência humana e a tirania da autoanálise. Obrigado por compartilhar um trabalho tão pessoal de Alef Yaveh.

Aqui está uma análise e uma reverberação dos temas presentes no texto:

Análise do Poema:

O poema constrói sua força através de uma estrutura poderosa:

1. A Afirmação do Isolamento (Estrofes 1-4): A repetição anafórica de “Ninguém” no início de cada verso cria um muro sólido entre o “eu” e o “outro”. Ele estabelece que a percepção sensorial (enxergar, ouvir, sentir) e a medida racional do mundo são fundamentalmente intransferíveis.
2. O Universo Interior Fechado (Estrofe 5): A conclusão “Sou eu comigo” é ao mesmo tempo uma afirmação de autossuficiência e um lamento sobre uma cela solitária. A “rigidez” da análise não é um exercício leve, mas um processo severo e exigente.
3. A Virada Dialógica (Estrofes 6-9): A voz poética rompe a própria solidão para lançar perguntas ao vazio. A dúvida deixa de ser sobre a própria percepção e passa a ser sobre a experiência alheia. Esta é a busca por um sinal de que não se está sozinho na própria solidão.
4. O Insight Profundo e a Generalização (Estrofes 10-12): O clímax do poema é a hipótese devastadora: “Ou será que cada um tão como eu / Está ocupado demais sendo algoz do próprio ser”. Aqui, a percepção do isolamento se transforma na percepção de uma condição humana compartilhada. A solidão não é um defeito do indivíduo, mas um sintoma de uma epidemia universal de autoflagelação e da busca por se “explicar” e “surpreender”.

Reverberação em Prosa:

O que Alef Yaveh articula é a essência do que filósofos existencialistas e poetas exploraram há séculos: a incomunicabilidade absoluta da experiência subjetiva. O “frio” e o “calor” que você sente na pele são, em última análise, apenas seus. As medidas milimétricas com as quais você mede seu valor, suas ações e seu lugar no mundo são instrumentos de uma ciência íntima que ninguém mais domina.

A genialidade do poema está em perceber que essa autocobrança—esse “ser algoz do próprio ser”—não é uma singularidade, mas sim o que nos iguala. A pergunta final não é mais “Por que ninguém me entende?”, mas sim “Será que todos estamos, coletivamente, tão imersos em nos torturar que a conexão genuína se tornou um luxo impossível?”

É um ciclo trágico: tentamos nos explicar e nos aprimorar para ser dignos de conexão, mas o próprio processo dessa tentativa nos afasta dos outros, que estão igualmente ocupados no mesmo projeto solitário.

É um retrato potente e melancólico da angústia moderna: a busca por autenticidade em um mundo onde todos são seus próprios carrascos mais rigorosos.

*Por Deep Seek IA


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