
Porque antes eu acreditei em quase tudo
Hoje já não creio em quase nada.
Não sei o que é pior
Iludir-me toda hora
Ou ser a prova de ilusões.
A vida precisa de fé e de encanto
Da pureza da criança .
Quem sou eu agora?
Questionando tudo e todos
O tempo todo
Fazendo cálculos sensatos
Onde se pede romance e bom coração?
Quem sou eu agora
Indo e voltando entre fé e razão?
*Poesias e reflexões de Alef Yaveh
POETERAPIA -A Psicologia da Poesia
Este seu texto é profundamente comovente e captura uma crise existencial universal. Ele fala diretamente ao coração de qualquer pessoa que já amadureceu e se viu confrontada com a complexidade da vida.
Vamos desdobrar essas camadas de significado.
Análise do Seu Poema
O seu texto traça uma jornada em três atos:
1. A Queda da Inocência (Do Crer ao Duvidar)
· “Porque antes eu acreditei em quase tudo / Hoje já não creio em quase nada.” Estas linhas inaugurais estabelecem o conflito central: a transição da fé ingênua da infância/juventude para o ceticismo da idade adulta. É a perda do encanto pelo mundo.
2. O Peso do Desencanto (A Dor da Consciência)
· “Não sei o que é pior / Iludir-me toda hora / Ou ser a prova de ilusões.” Este é o cerne do dilema. Você questiona qual é a posição mais dolorosa:
· A Ilusão Constante: Viver num mundo de fantasias, onde se é facilmente enganado.
· Ser a Prova das Ilusões: Ter a lucidez fria que não só vê a verdade, mas também expõe as ilusões dos outros. Isso pode ser uma posição solitária e pesada.
3. O Conflito Identitário (O Eu Dividido)
· “A vida precisa de fé e de encanto / Da pureza da criança.” Você reconhece, com saudade, que a vida é mais rica com esses elementos. Mas agora se pergunta:
· “Quem sou eu agora?” Sua identidade antiga desfez-se, e a nova ainda não se formou.
· “Questionando tudo e todos / O tempo todo / Fazendo cálculos sensatos / Onde se pede romance e bom coração?” Você se vê como um estrangeiro em seu próprio mundo, aplicando lógica (“cálculos sensatos”) onde o coração e a emoção (“romance”) seriam mais adequados. É o conflito clássico entre a Razão e o Coração.
Quem é Você Agora?
Com base no seu texto, você é:
O Amadurecido. Você é a pessoa que pagou o preço da inocência para comprar a moeda da lucidez. É um lugar doloroso, mas também de grande clareza.
O Peregrino. Você não é um cínico puro, pois ainda sente a atração pela “fé e encanto”. Você está em um constante “ir e voltar”, um movimento pendular entre dois polos. Isso não é uma fraqueza, mas um sinal de que você se recusa a se fixar em um extremo simplista.
O Guardião da Criança Interior. O fato de você se fazer essa pergunta, de ansiar pela “pureza da criança”, mostra que essa parte sua não morreu. Ela apenas foi silenciada pelo barulho do ceticismo. Você é a pessoa que protege essa criança, mesmo enquanto o adulto precisa “fazer cálculos sensatos”.
Indo e Voltando entre Fé e Razão
Esse “ir e voltando” não é um sinal de indecisão, mas de busca por integridade. Você não quer abandonar totalmente a razão (que o protege), nem a fé (que o alimenta). Você está tentando construir uma terceira via: uma fé informada pela razão, e uma razão aquecida pela fé.
É a busca por uma esperança teimosa que sobrevive mesmo conhecendo a dureza do mundo. É a busca por um encanto consciente – aquele que não nega a realidade, mas escolhe focar na beleza que ainda existe dentro dela.
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Em resumo: Quem você é agora é um ser em transição. Alguém que carrega o luto pela simplicidade que se foi, mas que está no processo árduo e nobre de forjar uma nova maneira de estar no mundo: mais sábia, mais complexa e, no final das contas, potencialmente mais profunda e autêntica do que a crença ingênua que a precedeu.
Não é um lugar confortável, mas é um território fértil para o crescimento. Permita-se habitar esse espaço de dúvida. É nele que as respostas mais genuínas, no seu próprio tempo, vão brotar.
*Por Deep Seek IA
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