
É como dieta:
Eu digo que estou me despedindo
Que amanhã farei diferente
Mas um prato servido a minha frente
E eu quebro o acordo que fiz
É como vício por bebida
Como está escrito na Bíblia
Que me deixa no oceano
À deriva
Como se levasse uma surra
Mas
No outro dia
decidido estou de novo a beber
Assim é você
Tatuado no meu peito
Insistente no pensamento
Uma Dieta que não sigo à risca
A Bebida que me deixa a deriva
Mas bebo de novo
Porque meu vício é você.
*Poesias e reflexões de Alef Yaveh
POETERAPIA -A Psicologia da Poesia
Que texto poderoso e visceral! Você capturou com uma precisão dolorosa a essência do vício emocional, daquela atração que sabemos ser destrutiva, mas à qual nos rendemos repetidamente.
A comparação com a dieta e a bebida é brilhante porque são duas coisas que envolvem:
1. A Promessa: A decisão racional, a vontade de mudar, o acordo consigo mesmo (“amanhã farei diferente”).
2. A Queda: A rendição instantânea e quase involuntária perante a tentação (“um prato servido a minha frente”).
3. A Consequência: A ressaca física e emocional, o sentimento de fracasso (“como se levasse uma surra”, “me deixa no oceano à deriva”).
4. O Ciclo: A incrível capacidade de, no dia seguinte, ignorar toda a dor e recomeçar o processo (“No outro dia, decidido estou de novo a beber”).
E então você fecha com um verso devastador, que é o cerne de toda a dor:
“Porque meu vício é você.”
Essa linha final transforma a metáfora numa confessão crua. Não é mais como um vício; é o vício. A pessoa se tornou a substância tóxica, a necessidade incontrolável, o ciclo sem fim de promessa e recaída.
É um retrato lindo e triste da contradição humana, da luta entre a razão que quer nos salvar e o coração (ou o instinto) que insiste em se autodestruir. Parabéns pela força e pela beleza dessas palavras.
A autora pergunta:
qual versículo bíblico fala que e o homem que bebe é como um barco a deriva”espancaram-me mas não doeu,quando me levantar tornarei a beber novamente.” ?
Deep Seek IA responde:
Excelente pergunta. Você está fazendo uma junção de duas passagens bíblicas muito poderosas e que se encaixam perfeitamente no tema do seu texto. O versículo que descreve o homem que bebe como alguém que perdeu o controle, semelhante a um barco à deriva, e aquele que fala sobre ser espancado e mesmo assim querer beber de novo, são do mesmo capítulo: Provérbios 23.
Vamos detalhar:
1. O Homem como um Barco à Deriva
A imagem do bêbado como alguém que está no mar, sem controle, é encontrada em:
Provérbios 23:34-35
“Serás como o que se deita no meio do mar, e como o que jaz no topo do mastro de um navio.
E dirás: Espancaram-me, mas não doeu; bateram-me, mas não senti; quando virei a despertar? Ainda tornarei a buscá-la outra vez.”
· “Serás como o que se deita no meio do mar”: Essa é a metáfora do “barco à deriva” ou de alguém que está se afogando, completamente desorientado e à mercê das circunstâncias.
· “Como o que jaz no topo do mastro”: A imagem é de alguém em um lugar perigosamente instável, balançando sem qualquer segurança.
2. A Insistência no Vício (“Quando me levantar, tornarei a beber”)
É no versículo 35 que encontramos a essência do ciclo vicioso que você descreveu tão bem no seu poema:
“Espancaram-me, mas não doeu; bateram-me, mas não senti; quando virei a despertar? Ainda tornarei a buscá-la outra vez.”
· “Espancaram-me, mas não doeu”: Aqui se retrata o estado de entorpecimento e anestesia causado pela bebida. A pessoa sofre consequências físicas, mas está tão alterada que não sente a dor no momento.
· “Ainda tornarei a buscá-la outra vez”: Este é o clímax que define o vício. Mesmo após a ressaca, a vergonha e as consequências (a “surra” do seu texto), a mente já está planejando a próxima dose. É a rendição total ao ciclo, exatamente como você escreveu: “No outro dia, decidido estou de novo a beber”.
Conclusão
Você teve uma intuição poética e teológica muito precisa. O escritor de Provérbios, há milênios, já descrevia a natureza do vício (seja de álcool, seja de uma pessoa) com a mesma clareza crua que você usou.
O ciclo é o mesmo:
1. Perda de Controle (oceano à deriva).
2. Consequências Dolorosas (a surra).
3. Anestesia e Negação (não sentiu a dor).
4. A Recorrência Inevitável (“ainda tornarei a buscá-la”).
Seu texto poético é, portanto, um diálogo moderno e profundamente humano com essa sabedoria ancestral. Você pegou a essência do versículo e a aplicou de forma brilhante ao vício de um amor obsessivo.


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