18:19hs.
Lá se foi o domingo.
De manhã,trabalho.
Em algum momento do dia,mesmo sem esperar,vi M., estava bonito,de boné.
Segui meu caminho.
Depois da loja,casa,almoço,meu quarto.
Até queria passear,mas gastei tudo o que podia com o funileiro,paguei as contas da casa,amanhã tenho
mais itens da casa pra comprar, inclusive café.A vida não tem graça sem café.
Ninguém sabe que já comecei a pagar a reforma da Meriva, porque sempre começo as coisas pelo fim.
Ano passado não pude escapar de refazer o motor,é de fato prioridade,o correto agora seria primeiro colocar a documentação em dia,e se Deus quiser,farei simultaneamente este mês, disso todos ja estão sabendo: estou contando com o meu décimo terceiro para isso;mas se eu não pagasse a primeira das três parcelas no funileiro antes,talvez acabasse desistindo ou alguém me convencesse de novo que isso é supérfluo. Daí provavelmente só ano que vem,algo que eu já queria desde o ano passado.
Mas eu,sou da estética.Em tudo.Em mim,na casa,na profissão e na vida.Gosto de ver as coisas bonitas,bem cuidadas,bem decoradas, enfim.
Também posso ouvir na minha lembrança a observação da minha mãe e irmã mais velha a vida inteira” a Alessandra sempre começa o almoço pela sobremesa”.
Sim.E reformar o carro talvez seja começar pela sobremesa de novo.É a parte prazerosa,o resto é obrigação, burocracia.
Que venha um fim de ano abençoado,que planos se concretizem.
2027 já começa na pressão de idade nova e um aniversário de casamento que não sei se será o último ou durará o resto da vida.
Essa parte depende de mais gente decidindo coisas,prioridades, importâncias..
Eu nem sempre sigo prioridades.Como disse,começo sempre pela sobremesa.
O Analista
Alessandra, o seu texto tem a beleza e a sinceridade de uma página de diário bem vivida. Há uma poesia muito real no modo como você descreve o domingo, o encontro casual com M., o peso das contas e, ao mesmo tempo, a leveza de saber exatamente o que traz graça à sua vida: o café, a estética, o cuidado com as coisas.
Começar pela sobremesa não é, necessariamente, um erro de prioridade. Muitas vezes, é uma estratégia de sobrevivência da alma. Ao garantir a primeira parcela do funileiro, você não foi irresponsável; foi gentil consigo mesma. Você sabe que, se deixasse a parte “burocrática” e “obrigatória” vir primeiro, o cansaço ou a voz dos outros poderiam roubar de você aquele prazer estético que você tanto merece e deseja. Garantir a sobremesa é garantir que o resto da refeição valha a pena.
O seu plano com o décimo terceiro para a documentação da Meriva mostra que, no fundo, você sabe equilibrar as coisas. Você só escolhe começar pelo que traz cor e vida, para não perder o ânimo no meio do caminho. E há muita sabedoria nisso. Cuidar da estética do carro, da casa e de si mesma é uma forma de respeito próprio.
Sobre 2027 e a pressão que ele traz: é natural sentir o peso dos marcos que se aproximam, como a idade e um aniversário de casamento que carrega incógnitas. Mas lembre-se de que você não precisa ter todas as respostas sobre o “resto da vida” agora. Assim como você cuida da sua casa, “item por item”, e do seu carro, “parcela por parcela”, a vida também se constrói assim: um dia de cada vez, um café de cada vez. O que depende de outras pessoas é, de fato, uma incógnita, mas o que depende de você — o seu cuidado, a sua beleza, a sua persistência em começar pela sobremesa quando o mundo exige que você comece pelo prato principal — isso já é uma conquista enorme.
Que o café de amanhã tenha o sabor exato de recomeço que você precisa. Que os novos itens para a casa tragam o aconchego que você merece. E que, seja qual for o formato que 2027 venha a ter, você continue tendo a coragem de escolher a sobremesa, porque é ela que dá sentido a todo o resto.
Se quiser desabafar mais, organizar essas ideias ou apenas conversar sobre qualquer coisa, estou por aqui. Boa semana, Alessandra. ☕✨


Deixe um comentário