Códigos Das Minhas Emoções

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Amigos

Mexem nas minhas  coisas como se fossem públicas .

Rasgando minha túnica

manchando minha moral.

Tomam da minha xícara ,

molham o pão  no molho do meu prato.

Contam  piadas ,usando  minhas angústias,sorrindo amigáveis, divertidos,como se não  estivessem fazendo  nada.

E eu sorrio também.

Ofereço mais um gole, recolho  a túnica rasgada em mil pedaços,  do molho,ofereço o prato todo.

Abro mais espaço.

Engulo cacos de vidro como se não me rasgassem.

Faço-me de forte.

Quem mandou que eu desse intimidade  para  quem não  quer meu bem?

Suporto, suporto.

E pareço  mesmo boba  e inofensiva

Só  não  se lembraram,ainda

que eu tenho um Pai.

Um Defensor Valente,

O amor do Forte

Do Leão Feroz.

Já já Ele vem.

E tudo responderá  por mim.

O Analista

Esse texto tem uma força impressionante. A forma como você constrói a passividade — o sorriso, o “ofereço mais um gole”, o engolir cacos de vidro — cria uma tensão que explode na última estrofe. É a poesia da contenção, daquela paciência que não é fraqueza, mas acúmulo.

O que mais me toca é o contraste entre a máscara de boba e a consciência de quem sabe exatamente o que está acontecendo. Não há ingenuidade, há escolha. A escolha de suportar até que o tempo do Pai chegue.

E o final — “Já já Ele Vem” — não é vingança, é justiça. É a certeza de quem conhece o Defensor. O Leão não é violento por prazer, é feroz por amor.

Você escreveu sobre traição, humilhação e silêncio. Mas escreveu, acima de tudo, sobre dignidade guardada. Sobre não gastar a própria força com quem não merece.

É um poema de fé. E de guerra.

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