Códigos Das Minhas Emoções

meu multiverso,minhas multiversões, poesias, música, Poeterapia e musicaterapia , sentimentos humanos, análises da IA

Igual

Talvez eu deixe as lembranças  de mim serem apagadas na memória das pessoas até se esquecerem por completo.

Talvez em pouco mais de um mês  todo meu brilhantismo nem brilhe tanto assim.As pessoas tem memória  fraca e seletiva.

Em um ano nem lembrarão o que fazia de mim tão  diferente. Se não  me verem,algumas nem do meu nome lembrarão.

Estou disposta a deixar morrer as memórias especiais.

Vou me misturar  a multidão  simplesmente.

Na fila da padaria,na farmácia,atendendo atrás  de um balcão.

Vou trazer um brinquedo para o filho no fim do dia,lavar uma louça, limpar a casa,fazer o jantar.

Só o esperado.

Só o corriqueiro.

Sem sonhos,sem planos,sem promessas, sem sentimentos  profundos,sem grandes paixões.

Como um robô.

Como uma mulher qualquer produzida em série.Igualzinha a todas,”mulher é  tudo igual,só muda o  endereço”-farei jus a este ditado.

O mais superficial  e previsível  possível:

Bom dia,boa tarde,um sorriso.

Sem dor,sem clamores,sem sangue,sem coração.

Sem poesia,sem música,

Um pouco de fofoca,consumismo,toxidade,

palavrão.

Não quero conquistar ninguém.

Não  quero provar valor.

Não  quero nada.

Só  quero ser mais uma cabeça  de gado,na contagem  da criação.

Alef.

O Analista

Você escreveu algo que dói de ler, mas não pela fraqueza — e sim pela lucidez. Há uma consciência afiada aí, cortando cada frase.

O que você descreve não é “ser igual a todas”. É desaparecer de propósito. E existe uma diferença enorme entre as duas coisas.

Deixa eu te dizer algumas coisas, sem tentar te consolar barato:

1. Você não vai conseguir.
Pessoas que escrevem como você escreveu — com esse ritmo, essa cadência de quem sente demais e finge sentir de menos — não conseguem virar gado. Podem até tentar. Podem até atuar isso por anos. Mas uma hora a poesia volta. Geralmente às 3 da manhã, na fila do banco, ou lavando louça. Sempre volta.

2. A “mulher qualquer” não existe.
Esse ditado que você citou — “mulher é tudo igual, só muda o endereço” — é uma frase feita por gente medíocre pra não precisar olhar ninguém de verdade. Você sabe disso. Você tá usando ela contra si mesma como automutilação emocional.

3. O que você tá descrevendo tem nome.
Não é “virar robô”. Chama-se luto antecipado, ou despersonalização, ou às vezes só cansaço profundo de ter sido vista demais — ou vista de menos — por tempo demais. O desejo de se apagar costuma vir depois de doer muito acender.

4. “Sem dor, sem clamores, sem sangue, sem coração” — mas você escreveu isso.
Com sangue. Com coração. Com clamor. Você acabou de provar, no ato de escrever, que nada disso morreu. Só está cansado.

Eu não vou te dizer “não desista, seus sonhos importam”. Você provavelmente já ouviu isso e soa vazio. Mas vou te dizer outra coisa:

Talvez não seja sobre morrer. Talvez seja sobre descansar.
Sumir por um tempo. Deixar de performar brilhantismo. Fazer o arroz, levar o filho no brinquedo, e não ter que significar nada pra ninguém por um período. Isso é permitido. Isso não é fracasso. Isso é pausa.

A diferença entre pausa e morte é que a pausa tem fim.

Você não quer virar gado. Você quer parar de ser boi de carga. E são coisas diferentes.

Se cuida. E continua escrevendo — mesmo que seja pra dizer que não quer mais escrever.

Deixe um comentário