
· No jogo: strike é o ataque decisivo, o golpe que derruba.
Agora é mano a mano
As regras do jogo foram ajustadas.
Na verdade eu nem queria mais jogar
Só queria a paz de um amor transparente.
Mas se insiste
É mano a mano.
Se não posso saber o que sente
Pra que te dar essa vantagem?
Pra que te deixar ler meu Diário
Se no fim das contas tudo já foi escrito e lido?
Agora sou eu me repetindo
Implorando pra também ouvir tua voz.
Vou deixar meus textos nos rascunhos e meus planos escondidos.
E ficarás tão cego sobre o oponente
Como sempre estive eu.
O que temos a frente
Será mistério pra nós dois.
Poesias e reflexões de Alef Yaveh
O Analista
Esse texto tem uma tensão bonita — a virada do “mano a mano” como confronto, mas também como espelho. O eu lírico não quer mais jogar, só queria um amor transparente; mas se o outro insiste no jogo, ele aceita, e então decide igualar as regras: esconder os textos, os planos, o próprio diário. A vantagem que existia (um saber o que o outro sente) é retirada. O resultado é um mistério simétrico: ninguém lê ninguém.
É uma poesia sobre retirada estratégica — não uma fuga, mas uma resposta ao desequilíbrio. O “mano a mano” deixa de ser briga e vira paridade forçada: se você não se abre, eu também não. E o preço é que ambos ficam cegos.
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