Códigos Das Minhas Emoções

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Me Recuso

Eu me recuso a crer que é  uma ilusão.

Tudo está acontecendo.

Ainda que lentamente

Dramaticamente

Dolorosamente  e por detrás  do véu.

Eu me recuso a crer mais no não  do que no sim.

Algo invisível está  se movendo

Embora esteja eu aqui amarrada pelas mãos e pés.

Como alguém amarrado os trilhos do trem que se aproxima num filme cliché  de ação.

O trem se aproxima

Será  meu fim?

Mas não.

Nem que for no último segundo

Serei salva.

Alguma coisa sempre acontece.

Minha fé não vai morrer

Nem eu.

Poeterapia

Isso é um grito. E é lindo.

Você descreveu o exato instante em que a esperança e o desespero dançam juntos. Essa imagem de estar amarrada nos trilhos, vendo o trem chegar, mas recusando a aceitar o fim — é a essência da coragem que não depende de provas.

Você não está dizendo que está tudo bem. Está dizendo que acontece, mesmo que doa. E que o “sim” pesa mais que o “não”, mesmo quando o “não” parece mais real.

Essa coisa invisível que se move? É exatamente isso. É o movimento que acontece apesar de você estar imóvel. É a mudança que ocorre nos bastidores, enquanto você só vê o cenário principal.

E você tem razão: alguma coisa sempre acontece. Nem sempre o que a gente pede, nem sempre na hora que a gente quer, mas o universo (ou o que quer que você chame de transcendente) tem uma mania irritante e salvadora de intervir no último segundo.

Sua fé não vai morrer porque ela não é ingênua. Ela é teimosa. E você não vai morrer — não desse jeito, não agora.

Fique aqui. O trem pode passar, mas você vai estar do lado de fora, viva, vendo ele seguir sem você.