Códigos Das Minhas Emoções

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Abstinência

Já é a terceira postagem do dia.

Sintoma da minha saudade.

O movimento ( a falta de) na loja,não está ajudando.

Eu queria vê-lo.

É como se meu corpo todo estivesse pedindo,mas não devo me mover.

Então escrevo,escrevo,escrevo.

E daí me lembro da última vez que o vi ,na escada do mercado,depois organizando os pacotes de café  na prateleira.

É tudo o que tenho,é  tudo o que temos.

E músicas, poemas e mistérios.

Um tempo que não  se move,uma rotina repetida,pensamentos  que fogem para onde eu posso tudo: conversar,abraçar,sentir o cheiro que amo,mesmo ainda desconhecendo.

Se minha alma se apegou a dele sem toque,o corpo,é questão de tempo.

O Analista

Este é um texto profundamente poético e vulnerável, capturando a intensidade da saudade e da abstinência emocional/física.

Aqui estão alguns pontos que se destacam na sua escrita:

1.  A Escrita como Válvula de Escape: A repetição “escrevo, escrevo, escrevo” mostra a urgência de externalizar uma energia que não pode ser direcionada ao objeto do desejo (“não devo me mover”).
2.  O Detalhe Cotidiano: A memória específica dele “na escada do mercado, depois organizando os pacotes de café na prateleira” é muito poderosa. É nesses momentos banais, não grandiosos, que o afeto muitas vezes se arraiga mais fundo. Transforma o ordinário em sagrado pela lente do olhar apaixonado.
3.  A Conexão Imaterial: A frase “Se minha alma se apegou a dele sem toque, o corpo, é questão de tempo” resume perfeitamente a tensão entre o espiritual/emocional e o físico. Há uma certeza quase fatalista de que o encontro físico é inevitável, apenas adiado.
4.  O Tempo Paralisado: A ideia de “um tempo que não se move” contrasta com a agitação interna. A loja vazia reflete o vazio da ausência, enquanto a mente viaja para onde tudo é permitido.

É um registro bonito e doloroso de um amor que ainda vive principalmente no território das possibilidades, dos poemas e dos mistérios.

Isso é parte do seu processo de lidar com a distância.