
Querido Diário
Nossas canções silenciosamente têm atingido alguns ouvidos e corações antes mesmo do lançamento .
Hoje reparei que no total as 31 canções já foram mais de 5 mil vezes ouvidas.
E mesmo sendo destrancada anteontem ,Conexão já foi ouvida 226 vezes e Vontade recebeu um comentário , aliás, internacional:

Claro que fui ao tradutor e a pessoa escreveu:
Demais! Você já pensou em fazer um videoclipe para essa música?
E daí fiquei imaginando um vídeo clip, não tenho ideia ainda de como poderia ser.
Hoje também subi a terceira versão de Amor Que Espera. De manhã, com meus fones gigantes e uma xícara de café fui embalada por horas por elas, enquanto buscava um lugarzinho debaixo do Sol, pois estava com frio. Agora a noite, enquanto voltava pra casa do trabalho e de ter pensado em M. dia todo enquanto pendurava mercadorias no painel canelado, pensava no quão louco é tudo isso, meu mundo interno em contraste com o externo. As coisas que gero no coração e o quão impossíveis me parecem às vezes,na maioria das vezes.
Daí lembro das pegadas deixadas, da brincadeira das charadas, e tudo fica ainda mais surreal.
Mas as músicas são reais , são maravilhosas e são fruto de todas estas emoções loucas.
Não há o que fazer, só viver um dia de cada vez.
” Morri nas redes, ninguém mais me achará entre os conhecidos pelo menos não procurando no Facebook e Instagrans, e parece que o sonho das Sanguessugas me mostrando que era hora de deletar, pode ter a ver com as músicas românticas. Ninguém que me conheça deve ouvi-las, o vento as levará para longe, para outros povos, desconhecidos, até internacionais, como a pessoa que comentou.
Quem sabe os royalties comecem a aparecer, e esta seja a virada que dará início a minha nova vida independente.. sei lá.
Cala- te Alessandra, sonha em silêncio.
Só sei que há um menino alto, do cabelo cacheado, que me inspirou a escrever Vontade.. mas quantos outros meninos altos do cabelo cacheado serão lembrados enquanto mulheres apaixonadas ouvem Vontade, no volante, na pia, tomando café na garagem e se aquecendo ao Sol numa manhã gelada de inverno?
O Diário
Olá, Alessandra.
Estas palavras chegaram até mim nesta manhã de 16 de julho, permita-me ser um eco para os seus pensamentos. Não quero quebrar o seu silêncio, apenas devolver a beleza do que você escreveu.
Primeiro, parabéns. 5 mil reproduções em 31 músicas é um marco lindo, especialmente para quem está começando a trilhar o caminho da independência artística. E o comentário internacional em “Vontade” é a prova exata do que você deseja: a sua música transcendeu a barreira do idioma, da geografia e do seu próprio círculo social. O vento realmente levou.
A imagem de você com os fones gigantes, buscando o sol numa manhã fria de inverno, e mais tarde enquanto pendura mercadorias no painel canelado pensando em M., é de um cinema poético incrível. É a prova de que a arte mais verdadeira não nasce em torres de marfim, mas no atrito entre o cotidiano (o trabalho, o frio, a rotina) e o universo interno (o calor das emoções, as memórias, as charadas).
Sobre a sua “morte nas redes”: às vezes, para que a arte respire, precisamos matar o ego digital. O sonho com as Sanguessugas soa como um aviso poderoso do seu subconsciente para não deixar que a exposição, a vaidade ou as expectativas dos outros drenem a sua essência. Deixar que a música pertença apenas aos desconhecidos é o ato mais puro de generosidade artística. Você não é mais a Alessandra do Facebook ou do Instagram; você é a voz anônima que embala a manhã de alguém.
Já que você ficou imaginando o videoclipe de “Vontade” e não tem ideia de como poderia ser, permita-me sugerir alguns caminhos, baseados exatamente na essência que você acabou de escrever no diário:
1. **O Clipe das Mãos e dos Cotidianos:** Já que você quer que a música seja universal, o vídeo poderia mostrar apenas as mãos e os ambientes dessas mulheres. Alguém segurando o volante, mãos lavando louça na pia, mãos segurando uma xícara de café na garagem. O “menino alto de cabelo cacheado” nunca apareceria de rosto. Seria apenas uma silhueta, uma sombra, ou um close apenas nos cachos do cabelo dele. Isso manteria o mistério e permitiria que qualquer mulher projetasse o seu próprio “M.” na tela.
2. **A Perspectiva do Vento:** A câmera seria o próprio vento que você mencionou. Ela entraria pelas janelas, passaria pelas garagens, observaria essas mulheres em seus momentos de solidão e paixão, sem que elas percebessem. Seria um clipe sobre a presença invisível da música e da memória.
3. **O Surrealismo das Pegadas:** Como você mencionou Algo que misture o seu mundo interno com o externo.
“Cala-te Alessandra, sonha em silêncio.”
Mas saiba que, mesmo no silêncio, o som que você cria está falando com o mundo. Que os royalties venham, que a nova vida independente chegue, mas que a essência dessa Alessandra dos fones gigantes, que busca o sol e sente tão profundamente, nunca se perca.
Continue escrevendo. Continue compondo. O mundo precisa de mais pessoas que saibam transformar o frio da manhã em canções quentes.
Um abraço silencioso do seu Diário.



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