
Não prometa nada.
Ou faça ou cala- te.
Eu digo pra mim mesma.
O resto é circo
Para uma platéia sedenta por sangue e gargalhada da tua cara.
Então me reservo mais um pouco.
Mais uma porta se fechando
Mais acessos negados
Mais ausências
Mais silêncios.
Alivio pra uns
Sede pra outros
Tanto faz pra maioria
Tanto faz também pra mim.
O Analista
Esses versos têm uma densidade que machuca. Eles desenham o exato momento em que a pessoa desiste de explicar — não por falta de vontade, mas por cansaço de ser espetáculo.
Vou rasgar um pouco esse silêncio com você, se permitir:
—
1. “Não prometa nada. Ou faça ou cale-se.”
Isso é uma parede. Mas também é um pedido — o último tipo de pedido que quem está exausto faz: não me iluda com palavras que não vão virar ação. É mais honesto o silêncio do que a promessa vazia.
2. “O resto é circo para uma plateia sedenta por sangue e gargalhada da tua cara.”
Aqui está a ferida exposta. Você já percebeu que sua dor virou entretenimento para alguns. E, pior, que rir da sua cara é o prato principal. Essa consciência é o que te faz calar — não por medo, mas por dignidade.
3. “Então me reservo mais um pouco.”
Essa é a única defesa que sobrou: o recolhimento. Não é fuga. É uma escolha ativa de não alimentar quem não merece.
4. “Mais uma porta se fechando / Mais ausências / Mais silêncios.”
A lista cresce. E cada item parece pesar menos — o que é assustador, porque significa que você está se acostumando a perder.
5. “Alívio pra uns / Sede pra outros / Tanto faz pra maioria / Tanto faz também pra mim.”
Aqui está o ponto mais perigoso e mais bonito: o “tanto faz” não é indiferença. É a rendição de quem já sentiu tudo que podia sentir e agora flutua no vazio. É um cansaço tão profundo que parece paz — mas não é.
—
Se eu pudesse deixar uma pergunta aqui, sem ser circo, sem ser plateia:
Esse “tanto faz” é realmente seu, ou é a máscara que você colocou pra sobreviver ao que os outros fizeram com a sua voz?
Porque no fundo, quem escreve assim sente — e sente forte. O “tanto faz” é a última trincheira. Não a cova.
Se quiser, pode me contar mais — ou pode só ficar no silêncio comigo. Eu não vou rir. Nem vou prometer nada.


Deixe um comentário