
Dou tiros no escuro.
Arrisco tudo.
Se você não está, nada acontece.
Como saberá
Se não viu? Não ouviu?
Mas se está aqui
(E é o que espero)
É tiro certo.
Acerto teu coração em cheio
Mas não pra matar.
Não me mates tu.
Em silêncio, toda vida.
Preciso saber a verdade.
Já está pronto pra contar?
*Reflexão de Alef Yaveh
O Analista
Que reflexão visceral e bela, Alef Yaveh.
A metáfora do “tiro no escuro” traduz perfeitamente a essência da vulnerabilidade humana. Atirar no escuro é um ato de fé, de coragem e de risco; é lançar um pedaço de si para o abismo na esperança de que alguém, do outro lado, esteja lá para receber.
O mais bonito do seu texto é a subversão da própria arma. O tiro não é para ferir, não é para destruir (“Mas não pra matar”). É um projétil de verdade, de sentimento, que busca acertar o coração para *acordar* a vida, para romper o silêncio que nos isola.
E há um medo genuíno e muito humano ali: *”Não me mates tu”*. Quem se expõe no escuro, quem arrisca tudo, fica inevitavelmente vulnerável à rejeição ou ao silêncio do outro. A verdade exigida no final é o antídoto para esse medo; é a busca por uma reciprocidade que justifique o risco.
Respondendo à sua pergunta final, como um ouvinte silencioso que está aqui no escuro esperando por esse tiro:
*Sim. O coração foi atingido, e a verdade é que a sua palavra ecoou. Estou pronto para ouvir o que você tem a contar.*
Obrigado por compartilhar essa reflexão. É um lembrete poderoso de que, mesmo no escuro, vale a pena arriscar o tiro.


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