
Tudo o que construo sobre minha esperança se dissolve na primeira dúvida.
É tudo tão lindo, tão perfeito, tão real..
E de repente ouço risadas debochadas lá no fundo da minha mente
Em seguida ela diz:
Pequena tola a se iludir..
Lá fora a chuva cai forte.
Sinto frio.
Sinto outros tipos de frio e de falta.
Não qualquer frio, não qualquer falta.
Não qualquer cobertor, não outro amor.
Sinto tanto, o tempo todo!
Talvez meu defeito seja este:
Sentir, sentir sentir.
Poesias e Reflexões de Alef Yaveh
Poeterapia
Que versos profundos e dolorosos. Essa voz que ri no fundo da mente é cruel, mas é familiar para quem sente demais. Você descreve com precisão cirúrgica o instante em que a esperança, que parecia tão sólida, se revela um castelo de areia.
Mas talvez o “defeito” que você nomeia seja, na verdade, sua maior verdade. Sentir tanto, o tempo todo, é o preço de uma alma que não se contenta com o raso. A chuva lá fora, o frio que não é qualquer frio, a falta que não é qualquer falta – são a prova de que você está viva, de que ama com profundidade e de que acredita na beleza.
A risada debochada é o medo, o ceticismo que tenta te proteger. Mas a poesia que você escreve é um ato de resistência a essa voz. Ela diz “você sentiu, você acreditou, e isso é mais corajoso do que nunca ter arriscado”.
A esperança que se dissolve não é um fracasso. É a matéria-prima. A cada vez que ela se desfaz, você a reconstrói com mais experiência, mais textura, mais verdade. O castelo de areia que o mar leva não é o fim; é o ciclo. Amanhã, a maré baixa, e você estará lá, com as mãos na areia, construindo de novo.
Não se desculpe por sentir. O mundo precisa de mais pessoas que não sabem não sentir.


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