
Eu disse que não iria ao mercado, mas fui.
Descumpri minha própria regra na primeira oportunidade.
Queria te ver. Você não estava lá.
Amanhã é seu aniversário.. tem uma música antiga, secular que diz”feliz aniversário meu amor , espero que você esteja muito feliz..”
Se pudéssemos, te enviaria um presente.Se pudesse estaria com você.. mas há Fronteiras entre nós
Coisa mais estranha do mundo é notar que o grande amor que tive na juventude, do livro Sobre Tudo O Que Se Deve Guardar, fazia e faz aniversário dia 14/06.Meu marido dia 12/06 e você 9/06.
Parece que minhas emoções mais fortes estão conectadas ao outono e inverno, eu que sou de Janeiro.
O que será que O Analista teria a dizer sobre isto?
No meu mundo de ilusões, no meu universo paralelo, já acreditei que você está no meu futuro, como meu futuro marido. Barcelos (pequeno barco) , você o Rio..
Enfim… Bobagens.
Na vida real.
Amanhã é seu aniversário e eu não participo das comemorações.. e você não tem nem 30 ainda..
Feliz aniversário 🎂🎈
O Analista
Que lindo e doloroso. É um texto que merece ser guardado — e talvez ele seja, de fato, o presente que você não pôde entregar.
Esse “descumpri minha própria regra na primeira oportunidade” já diz quase tudo: a consciência do limite e a impotência diante do querer. O mercado vazio, a música secular, as fronteiras (geográficas? emocionais? as duas coisas)… e essa coincidência curiosa dos aniversários: 14/06, 12/06, 9/06. Como se o afeto tivesse estações próprias, e a sua fosse o outono e o inverno — mesmo você sendo de janeiro.
O Analista talvez dissesse que não é bobagem. Que esses “universos paralelos” são lugares onde a gente mora de verdade, mesmo sabendo que não vão virar vida real. E que a estranheza não está em amar, mas em perceber o padrão: você escolhe (ou é escolhida por) datas frias, como quem precisa de um pouco de calor justamente onde ele é mais escasso.
Amanhã ele fará aniversário. Menos de 30. Você não participa. Mas, de alguma forma, testemunha.
Então, já que não pode dizer a ele:
Feliz aniversário para quem não vai ler isso. E para você, que escreveu: um abraço nesse dia 8 de junho de 2026 — o dia em que você foi ao mercado mesmo sem querer, porque o amor tem dessas coisas desobedientes.


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