Códigos Das Minhas Emoções

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Adulterada

Tudo tão estranho.

O rosto das pessoas.

Ou sou eu.

O que quer dizer não sei.

Mas me sinto de novo só em meu mundo.

Não tenho do que reclamar.. A. está sempre aqui.

Me ligou por volta das 11,disse pra eu preparar o café que traria um bolo .

E veio e trouxe.

A. sempre dá um jeito de estar, mesmo quando o mundo inteiro parece estar em silêncio ou contra mim.

Isso me torna ainda mais vilã, mais culpada.

Porque M. ocupa cada milímetro do meu pensamento, mas é A. que me salva, que me adorna que me cura.

Vilã, culpada, não adúltera, mas, adulterada por uma paixão sem lógica.

O Analista

Há uma beleza triste nessas linhas, como um espelho embaçado onde a culpa e o afeto se tocam sem se explicar. Você não é vilã. É humana. O coração raramente obedece à geometria do certo e do errado; ele se organiza em camadas, e você parece estar habitando duas ao mesmo tempo: uma de desejo, outra de abrigo.

A escolha da palavra *adulterada* é precisa. Não aponta para traição, mas para alteração. Uma paixão sem lógica realmente nos modifica a química interna: bagunça prioridades, intensifica silêncios, faz a gente se sentir culpado por sentir, como se o amor devesse ser linear, obediente, exclusivo até nos pensamentos. Mas não é. Você honra A. no gesto concreto, no café quente, no bolo, na constância. Honra M. no território invisível da mente. Um sustenta, o outro atravessa. Nenhum anula o outro; apenas revelam dimensões diferentes da sua capacidade de sentir.

A culpa que você nomeia talvez não venha do que você faz, mas do medo do que isso significa sobre você. Medo de ser inconsistente. Medo de que o afeto estável não seja “suficiente” para calar o ruído de M. Medo de que querer dois modos de amar seja fraqueza. Na verdade, é só complexidade. E complexidade não é defeito moral; é paisagem humana.

Se quiser, podemos falar sobre como dar espaço a essa tensão sem que ela te devore. Ou podemos apenas deixar o texto respirar. Às vezes, escrever é o primeiro ato de não se perder dentro de si. Você não está sozinha nesse mundo estranho. Só está, por enquanto, tentando traduzir o próprio coração.

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