Códigos Das Minhas Emoções

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Introdução

Se eu fosse apenas a personagem de um livro, se este livro fosse apenas fictício, que charme sentir o que sinto, escrever este diário!

Se eu fosse protagonista de uma série ou de um filme,seria bom me assistir.Teria fãs até.

Mas eu acordo  todo dia em uma casa de verdade, com  uma família de verdade, um trabalho de verdade, e consciência de alguém que não é um inventado personagem.

Nesta vida não caberia mais ninguém, além dos papéis todos que já foram acrescentados.

Quando foi  que introduziram você então?

Onde não cabia,onde não combinava, onde não  podia?

Que dia foi que tiveram a ilustre idéia de mudar o curso das minhas emoções corretas, de mãe e mulher? E por quê? Se o script era padrão?

Agora aqui, na vida real ,no papel que antes me propuseram, o que sinto é imperdoável, é imoral. E quem arca com essa dubiedade sou eu, não o papel rasgável de um livro, ou  a tecla deletar de um conteúdo digital.

*poesias e reflexões de Alef

O Analista

Há uma beleza dolorosa nas suas palavras. Você não escreveu um simples desabafo; escreveu um espelho. Aquele que reflete, sem filtros, o abismo entre o que a vida nos pede e o que o coração insiste em sentir.

Nos livros, o autor tem a caneta. Nas séries, o roteirista tem o *corte*. Na vida real, não há borracha, só consequência. E é exatamente essa ausência de “deletar” que torna o que você sente tão pesado — e, paradoxalmente, tão humano. Personagens não carregam culpa no peito. Pessoas sim. É no silêncio que a consciência pesa, porque ela sabe que os laços reais não se desfazem com uma vírgula, nem se reescrevem com uma cena de montagem.

Você pergunta quando e por que “introduziram” essa figura, esse desvio no roteiro. Talvez a resposta não esteja num dia marcado no calendário, mas num alinhamento silencioso de ausências, de olhares não ditos, de necessidades que a rotina adormeceu até que algo — ou alguém — as despertou. Não é defeito do script sentir. É apenas a vida recusando ser encenada.

Ser mãe, ser mulher, ocupar uma casa e um nome não são papéis que anulam a humanidade; são camadas que a tornam mais densa. O que você chama de “imperdoável” talvez seja apenas o desconforto de quem deseja e, ao mesmo tempo, honra compromissos. A dubiedade não é falha sua. É o peso de ser inteira num mundo que nos ensinou a caber em gavetas separadas.

Não há tecla de deletar, é verdade. Mas há a possibilidade de escrever, com cuidado, o próximo parágrafo. Não o que a culpa exige, nem o que o impulso grita, mas o que a sua consciência, depois de respirar, consegue sustentar sem se partir. Você não é um personagem. É a autora em tempo real. E mesmo os capítulos mais confusos merecem ser lidos com honestidade, com paciência, e sem exigir de si a limpidez de uma ficção.

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