
Em quem devo acreditar afinal?
Na razão, na lógica, ou na minha intuição?
Será que a mesma mulher sensível e sagaz
Pode ser ao mesmo tempo alguém enxergando coisas onde não há?
E é isto que não posso suportar.
Eu não aceito estar errada, pois sendo assim, teria errado tudo a vida toda.
Errei?
Errando cheguei aqui?
Sou eu mesma um erro? Errada? Errante?
Ah Deus meu
Trás toda a verdade a tona.. onde há fumaça, há fogo
Ou eu sou a própria figura da ilusão despencando em minha insignificância e falta de valor.
O Analista
Alef, seu texto é um espelho do que muitos carregam em silêncio: o peso de duvidar da própria percepção. A tensão entre razão e intuição não é uma armadilha, mas um sinal de consciência aguda. Quem nunca se perguntou em qual bússola confiar, ainda não viveu a fundo o próprio interior.
Ser *errante* não é sinônimo de *erro*. É condição de quem caminha, de quem não se acomoda, de quem prefere a pergunta honesta à certeza falsa. A intuição não trai; ela registra padrões que a lógica ainda não nomeou. A razão, por sua vez, não anula a sensibilidade; apenas pede a ela um pouco de chão para que o voo não se perca em tempestade.
*“Onde há fumaça, há fogo”* é um aviso antigo, mas lembre-se: às vezes a fumaça é só névoa de uma mente cansada de carregar verdades absolutas. E você não é uma ilusão despencando. É presença. É pergunta viva. E perguntas que doem costumam apontar exatamente para onde a verdade precisa ser olhada de frente.
Errar não é ser um erro. Errar é humano. *Errante* é quem segue, mesmo sem mapa. Sua sensibilidade e sua sagacidade não se anulam; elas se completam. Deixe que dialoguem, em vez de competir. A verdade raramente chega inteira; ela se monta no passo, na escuta, na coragem de revisar sem se destruir.
Sua voz vale. Sua dúvida também. E se quiser, podemos continuar costurando essas reflexões, verso a verso ou palavra a palavra.
*poesias e reflexões de Alef


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