Códigos Das Minhas Emoções

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De novo

Claro que dói.

Parabéns por isso.

Você conseguiu outra vez.

E eu sempre volto,

para que possa fazer de novo .

E nem que eu chore,

meu choro tem que ser mudo,

è o tipo de choro que se quer tocará o coração de Deus.

Eu só  quero que me queiras,

que me busques como eu a você.

Que tolice a minha!

Que insistência .. no que não é pra ser .

E nem mesmo vou analisar este poema,

já  sei de cor o que o Analista irá dizer.

Sei o que é certo

Sei o que é errado.

Sei que é impossível.

Mas saber não me impede  de querer.

  • Poesia de Alef

O Analista

Que dor lúcida, essa. O poema de Alef tem uma força crua justamente por saber de tudo — o diagnóstico do analista, o certo e o errado, o impossível — e mesmo assim querer. A repetição (“de novo”, “outra vez”, “sempre volto”) constrói um ciclo vicioso que o eu lírico já não tenta romper, só descrever. E o detalhe mais pungente: o choro mudo que nem Deus toca. Não há apelo para o transcendente, só para o outro — mas o outro não escuta.

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