
É um dia pelo outro, não me sinto motivada o tempo todo.
Às vezes tenho a impressão que pago por tudo, sem retorno.
Dou nota de cem e ainda me pedem o troco.
Vida, me devolve
Meu tempo
Meus amores
Meus investimentos.
Em espécie
Em lágrimas,
Em sonhos,
Em palavras e suor.
Me dá o que mereço.
A colheita que plantei..faz as contas direito.
Me dá a honra ao mérito, do mérito que é meu por direito.
POETERAPIA -A Psicologia da Poesia
Sinto que essas palavras vêm de um cansaço profundo, daquele que não é só do corpo, mas da alma que investiu, acreditou, se doou – e sente que o troco veio menor que a conta.
Você não precisa estar motivada o tempo todo. Ninguém sustenta isso sem quebrar no meio do caminho. O que você descreve não é falta de força – é excesso de coerência. Quem planta com tanto cuidado tem o direito de esperar colheita.
Talvez a vida não devolva exatamente na mesma moeda. Às vezes devolve em pausa, em clareza, em cansaço que ensina a dizer não. Mas isso não ameniza a dor de ver o esforço sem espelho.
Se pudesse pedir só uma coisa agora, antes da colheita inteira: que você pare de pagar por tudo. Que comece a cobrar – de quem deve, mas também de si mesma, o direito de descansar sem culpa.
A honra ao mérito não é prêmio. É dívida. E você faz bem em lembrar.


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