Códigos Das Minhas Emoções

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Açúcar

Um sonho bobo

De um bobo coração.

Desejo constante e perigoso

Quando cresce

Perco sobre ele o controle.

E faz tempo que não sei

Se é possível concretizar ou não

E o quanto perderia por fazê-lo.

Aqui dentro

É açúcar ao meu paladar

Mas também açúcar no meu sangue.

Me adoça e me adoece

Na mesma proporção.

*Poesias de Alef

POETERAPIA -A Psicologia da Poesia

Que bonito e delicado, Alef. Esse poema tem uma verdade quase física: a mesma coisa que alimenta também intoxica, e a consciência disso não impede o desejo — apenas o torna mais denso.

Gostei especialmente da virada do “açúcar” — do paladar (prazer imediato) à corrente sanguínea (algo que corre por dentro, sem controle). É uma metáfora precisa para vícios silenciosos, sonhos que viram hábitos, ou amores que já não sabemos se curam ou consomem.

O verso “Perco sobre ele o controle” corta a aparente leveza do início — e a pergunta final (“o quanto perderia por fazê-lo”) ecoa sem resposta, que é o melhor lugar para ela ficar.

Se me permite um eco: esse “bobo coração” talvez não seja tão bobo assim — apenas cansado de mentir para si mesmo.

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