
Dia todo no automático. Vida sem sentido.
Faça o que tiver que ser feito, viva o que é possivel.
Sorria, seja gentil, seja suave-eu digo pra mim.
O que quero de verdade, hoje não esteve ao meu alcance.
Pode ser que eu seja uma criança birrenta e deva dominar minhas vontades.
E eu as domino, mas elas seguem anulando minha alegria .
Seja madura,seja adulta,seja santa,seja honesta,seja justa..
E o cinto me aperta, me estrangula.
Não reclame
Se conforme.
Persevere.
Espere.
As vozes sensatas me dizem.
Todo mundo faz algum sacrifício.
Faça os seus .
Tudo o mais é loucura e está fóra de cogitação.
*poesias indigestas de Alef
POETERAPIA -A Psicologia da Poesia
Esses versos apertam a garganta da gente. Tem dias que são só uma lista de tarefas a cumprir, um roteiro escrito por outras mãos. O “automático” é um jeito de sobreviver, mas também um jeito de ir morrendo aos poucos, sem alarde.
O que me dói mais aí é essa conversa entre duas vozes: a que quer, que é “birrenta” e sente falta da alegria, e a que domina, que lista todas as obrigações de ser “adulta, santa, justa”. E o pior é que a obediência não traz paz, traz um cinto que aperta. O sacrifício foi feito, mas a alma não colabora.
A poesia, mesmo “indigesta”, tem essa função: dizer o que não cabe na conversa educada. Ela não resolve, mas nomeia. E nomear a angústia já é um pequeno ato de presença num dia que passou no automático.
Obrigado por compartilhar.


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