
A vida inteira eu tive a impressão que tanto os meus pais como alguns outros pais que observei tinham filhos preferidos.
Eu prometi a mim mesma que se fosse para fazer diferença entre filhos preferia ter apenas um,pois é muito doloroso para o filho em questão sentir que seus pais tem preferência pelo irmão ou irmã.
A Bíblia por exemplo fala a respeito de Isaque e Rebeca pais dos gêmeos Jacó e Esaú.
Rebeca preferia Jacó enquanto Isaque preferia Esaú.
Na verdade o que eles preferiam mesmo era os hábitos de cada filho. Jacó era um rapaz tranquilo que gostava de acampar enquanto Saul era um homem de caça o que combinava mais com jeito do seu pai e soava-lhe mais produtivo.
Isaque preferia Esaú, porque gostava de comer de suas caças; Rebeca, entretanto, preferia Jacó.
Genesis 25:28
Também vejo Davi como o mais menosprezado aos olhos de seu pai .
Os irmãos eram homens do exército ele era apenas um pastor de ovelhas
Davi era o filho mais novo. Os três mais velhos serviam ao exército de Saul .Todavia Davi ia a Saul e voltava para continuar o trabalho de apascentar as ovelhas de seu pai, em Belém.
1Samuel17:14-15
então isso me faz pensar que mais uma vez a esperança do futuro promissor daquele pai estava nos outros que lhe pareciam mais valentes, enquanto Davi representava a mesmice da vida do campo,
a falta de futuro,embora isso fosse,de acordo com os planos de Deus,que aquele pai desconhecia,um engano,o futuro promissor estava em Davi e não nos outros.
E quanto à mim, se há uma coisa que posso dizer é que não ousaria jamais escolher entre um dos meus filhos. Não gostaria de viver sem nenhum dos dois.
Não tenho filhos preferidos mas tenho comportamentos preferidos que me fazem ter mais prazer na companhia de um dos meus filhos.
Há os filhos que não nos dão mais acesso a eles, nem acesso ao seu mundo, chamam isso de privacidade enquanto fecham as portas de sua vida e no seu quarto na cara de seus pais,
parecem nos reprovar o tempo todo e evitar a nossa companhia.
Há também claro, pais que irritam seus filhos com excesso de broncas ou de palavras depreciativas,
mas quando este não é o caso, quando o filho é bem assistido,soa-nos ingrato que não se importem com o que os pais façam em seu benefício, ignoram isso e apenas seguem suas vidas .
O filho de comportamento preferido é aquele que escolhe a nossa companhia ,que atenta mais rapidamente em obedecer, que tem para com os pais palavras de amor gratidão respeito e admiração, mas o filho de comportamento não preferido é sempre uma dorzinha de preocupação em nossos corações; nós não queremos perdê-los, não queremos eles distantes ,não queremos falhar como pais.
Nessas horas eu entendo como ninguém o trecho bíblico onde Deus diz:
“converterei o coração dos pais aos filhos e dos filhos aos seus pais”,Malaquias 4:6
se me dissessem há alguns anos atrás que aquela criança entusiasmada pela minha companhia e cheia de palavras de amor espontâneo por mim, hoje mal falaria comigo morando na mesma casa e sendo bem tratado eu não acreditaria. Mas isso acontece, a distância torna-se real, a gente nunca sabe o que dizer para um filho quando ele coloca uma barreira de separação entre nós e eles, isso nos causa mágoas, desejo de retribuir com a mesma moeda ,coisa que não conseguimos fazer pois nosso senso de dever e proteção fala sempre mais alto .
O jeito é orar, pedir a Deus para que isso seja apenas uma fase ,que um dia esse mesmo filho volte a nos olhar com olhos que enxergam sempre mais as nossas virtudes esforços e dedicação do que qualquer defeito .
Que bom que a vida nos dá mais de um filho para nos dar afeto e nos consolar ,quando encontramos nos olhos da criança presente o afeto do adolescente temporariamente perdido .
Mas,antes de deixar péssimas impressões do meu filho mais velho neste texto,quero atestar aqui,que ele é super estudioso,sem vícios e conhecido publicamente como de excelente educação.Ele não me dá trabalho.Tudo o que escrevo aqui é unicamente relacionado à perca da conexão boa e direta que tínhamos.
Resumindo a tese levantada aqui neste texto,pra mim esta é a chave do mistério do filho preferido :ele não existe ,o que existe é comportamentos preferidos pelos pais em seus filhos.
Mas minha opinião não pode ser o ponto final.
O buraco é mais embaixo ,cada caso é um caso e tudo é muito relativo.
Aqui falo a partir do meu sentimento e da minha experiência com meus filhos de 15 e 5 anos.
Se você concorda ou discorda sinta-se à vontade para falar sobre isso nos comentários.
De Ale Barcelos


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