#resignificar as memórias
* Sobre Meu Direito de Cobrar

Muito bem,na postagem anterior a esta ,de nome Valor,relatei algumas memorias de infância que refletiram e muito nos meus sentimentos e personalidade.
Mas não quero que no final das contas,todos os traumas humanos acabem na conta de seus pais,pois não seria justo,uma vez que os pais são seres humanos passíveis de erros.
Hoje sou mãe e sei que não há modelo perfeito.
Também não quero especificamente demonizar minha mãe,pois dentro do que ela entende,ela é tão boa pra mim quanto pra minhas outras duas irmãs,e embora eu tenha notado tantas diferenças dolorosas no decorrer dos anos,ela de fato foi e é boa para mim sobre varios aspectos;
Portanto talvez parte da culpa seja minha,por omitir meus sentimentos tanto quanto omitia a lista de livros didáticos da escola achando que assim,poupando-a do conhecimento de ter livros didáticos para me comprar,poderia evitar a dor dela em tirar dinheiro “de onde não tinha” em detrimento da minha,que era apenas uma criança e precisava dos livros como todos os outros alunos da sala que pediram a seus pais e eles compraram.
Tá.
Já descobri que nem sempre que alguém diz:
“não posso”,
“não tenho dinheiro”,
“estou apertado(a) ”
é problema meu.
Nem sempre a pessoa deve ser poupada das suas responsabilidades comigo por conta disto.
Um exemplo?
Já dei milhares de descontos em uma loja de roupas que tinha antes da cliente se quer pensar em pedir, só porque eu “achava”que a cliente iria achar caro ou não poderia pagar o valor da etiqueta.
Ao fim de cada dia,de cada 5,15 ou 20 reais descontados eu deixava muito dinheiro para trás,podia ser o combustível do meu carro,a mistura,enfim..eu não era rica.
Com o tempo percebi que eu nunca soube cobrar por meus serviços de acordo com as tabelas,sempre barateei,e ao contrário de receber em troca um obrigado sincero ou qualquer tipo de reconhecimento,eu tinha a impressão de que a minha mercadoria é que perdia definitivamente seu valor ao olhar das clientes.
E por fim pagavam mais caro e saiam mais felizes de outros lugares,porque nosso subconsciente entende que barato é porcaria e caro é de boa qualidade,mesmo que isto não seja uma verdade absoluta.
Percebem que usei com as clientes o mesmo princípio dos livros didáticos com minha mãe?
E que apesar das inúmeras vezes que me sacrifiquei para protegê-la e ás minhas clientes ,merecer mais seu amor/gratidão/admiração nestas e outras ocasiões semelhantes,eu só perdi meus direitos e vi minhas irmãs/concorrentes aproveitarem os deles sem um pingo de culpa?
E pasmem!
O orçamento (das minhas clientes e da minha mãe) sobreviveram a tudo, e teriam sobrevivido com ou sem eu abrir mão da minha parte.
Então,diante deste autoconhecimento,aprendo que preciso resignificar meu direito de cobrar direitos e valores justos sem me desesperar se o outro pode arcar com o valor cobrado ou não.
Isto cabe a eles.
Preço é preço,
valor é valor,
responsabilidade é responsabilidade,
direito é direito.
(Falta-me escrever isto 100 vezes no caderno de caligrafia até decorar)
*Amanhã prossigo com o ponto3:Direito de Existir.
Terminamos na parte 4:
“Direito de Ter”
De Ale Barcelos


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