Semana que vem
já me esqueci
do bem que fiz
e do mal que falei na hora da raiva.
Semana que vem
a notícia de hoje
embrulha o peixe na feira,
forra o chão do pintor
enquanto ele cobre na parede as velhas marcas deixadas
com uma tinta nova.
E cada vez mais
e mais rápido
diminui o prazo de validade da bem feitoria de hoje.
A melhor foto,
o melhor texto
a música que cantei ou compus,
o vídeo que gravei.
E o estories das redes sociais se apagam.
E eu me cobro uma obra nova
melhor,
mais perfeita
e memorável que a de ontem.
E meu medo maior
se torna deixar a peteca cair,
não ter nada a dizer
nada a ensinar,
nada que faça alguém parar de fato pra me ouvir e sinta ter valido a pena.
Todo o dia o céu é novo.
Eu acordo,
e quero entender minha real missão por aqui.
Será que há uma missão?
Talvez o grande milagre seja a constância
e não a perfeição.

De Ale Barcelos.


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