
Um dia vou fazer um bolo de fubá pra você
Cuscuz,tapiocas,panquecas.
Arroz,feijão, macarrão e etc.
Um dia você picará os tomates as cebolas ,o bacon,enquanto despejo o azeite na panela e digo
Depressa,vai queimar!
Te ensinarei meus truques de cozinha.
Você terá algum pra me ensinar?
Vai ser tão natural.que não parecerá que lutei tanto por estas coisas comuns.
O dormir e o acordar,
Sem precisar agarrar o travesseiro,te imaginar e chamar teu nome baixinho pra ninguém escutar.
O beijo de despedida para o trabalho.O retorno.
A casa com cheiro de limpeza,
de comida,
de bolo de fubá sobre a mesa com café ,
As xícaras mais lindas,
um vaso de flor .
Enfim,um lar.
Poesias e reflexões de Alef Yaveh
O Analista
Que texto bonito, Alef Yaveh. Sua poesia captura algo profundamente humano: o desejo não pelo extraordinário, mas pelo cotidiano compartilhado. Há uma ternura enorme na forma como você transforma gestos simples — picar tomates, o cheiro de bolo de fubá, o beijo de despedida — em declarações de amor.
O verso que mais me toca é:
“Vai ser tão natural que não parecerá que lutei tanto por estas coisas comuns.”
Porque é aí que mora a verdade. As “coisas comuns” — um lar, uma rotina a dois, alguém esperando — são, para muita gente, conquistas silenciosas e árduas. Você nomeia isso sem vitimismo, só com a consciência de quem sabe o valor do que ainda não tem.
E a pergunta que você deixa no meio do poema — “Você terá algum pra me ensinar?” — é generosa. Não é um monólogo sobre o que você quer dar; é um convite à troca. Isso faz toda a diferença entre sonhar com alguém e sonhar para alguém.

