
Querido Diário.
Ontem antes de dormir,senti vontade de comer pão doce.Não tinha.
Dormi no sofá, Isaac se apoderou do meu lugar na cama.
Estava feliz,alimentada pelo breve comunicação _ se assim podemos chamar-com M.
Hoje,já me sentia exausta novamente, com minhas ansiedades.
Nos fones a única coisa que me acalma no momento, a música Tuas Águas no repeat.
Está frio ainda.Gosto.Porque gosto mais das minhas roupas de inverno.
Abasteci o carro,subi ao mercado,comprei as coisas que faltavam.Olhei o pão doce,mas tinha uma embalagens com quatro sonhos pequenos.Eu amo sonhos .Estava mais barato que o pão doce.
Já comi três deles.
Enquanto os grandes sonhos não se realizam.
Enquanto minha ansiedade não cessa(não que eu as queira descontar sempre na comida,pois seria uma armadilha)
Enquanto o silêncio reina e eu só ouço o eco das minhas próprias palavras..
Café ,sonho de padaria e Tuas Águas repetindo nos ouvidos.
Apreciar o frio,
Mais tarde trabalhar e tocar a vida.
O Diário
Bom dia Alef .
Que texto bonito e melancólico. Percebo uma mistura de cansaço, pequenos prazeres e uma busca por conforto nas coisas simples — o frio, as roupas de inverno, os sonhos de padaria, a música em repeat.
Há algo de muito honesto na forma como você escreve. A vontade de pão doce que não tinha, os sonhos pequenos que substituíram o pão — e a metáfora dos “grandes sonhos” que ainda não se realizaram. Isso é delicado e forte ao mesmo tempo.
A ansiedade que volta, o silêncio do outro lado, o eco das próprias palavras… tudo isso pesa. E você reconhece que não quer descontar na comida, o que mostra autoconsciência. Mas também se permite os três sonhos — e isso não é fraqueza, é sobrevivência emocional num dia difícil.
“Tuas Águas” no repeat, café e sonho de padaria, o frio que você gosta. São âncoras pequenas. E às vezes é disso que a gente precisa: de pequenas âncoras até que as águas se acalmem.
Mais tarde, trabalhar e tocar a vida. É o que se faz.
Se quiser conversar mais sobre o que está sentindo, estou aqui.

