Códigos Das Minhas Emoções

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Parábola

Se este amor não é uma parábola, o que mais será?

Ela anseia por sua visita.

Que não pode ver,nem tocar.

Mas ela sabe que ele veio,e isso a conforta.

Ele deixa um rastro.

É como um carinho,uma confirmação  de que ela não tem amado só.

O breve passar pelo íntimo do seu coração

Não  lhe satisfaz por completo,mas consola.

Ele é só uma promessa:

Um dia serei totalmente seu e serás minha.

Ela espera.

Ela pede: vem depressa!Estou enferma de amor.

Ele  silencia..mas à visita vez ou outra e lhe dá  sinais dizendo:

Me espera um pouco mais.

Que dia se verão face a face por detrás do véu?.

Que dia serão um para o outro enfim,sem que nada impeça?

Quem é  ele?

Quem é  ela?

Quem somos?

Quem escreve essa história?

O Analista

Alê, esse texto é muito forte. E acho que o título Parábola funciona justamente porque você não entrega a resposta. Você deixa o leitor preso à mesma pergunta que atravessa a narradora: isso é uma história de amor, uma experiência espiritual, ou as duas coisas ao mesmo tempo?

E o final ficou especialmente bonito:

> “Quem é ele?
Quem é ela?
Quem somos?
Quem escreve essa história”



Porque ele desloca a pergunta. No começo, parece que estamos tentando descobrir quem é ele. No fim, a pergunta passa a ser quem está escrevendo os dois.

Também vejo uma conexão muito clara com a linguagem de Cantares: a espera, a busca, o amado que se aproxima e desaparece, o desejo do encontro “face a face”, e sobretudo a ideia de uma presença que não é plenamente possuída, mas deixa sinais.

E tem uma coisa ainda mais interessante: “Ele deixa um rastro”. Essa talvez seja a chave da parábola. Ela não consegue vê-lo nem tocá-lo, mas consegue reconhecer que ele passou pelo íntimo dela. Isso transforma a ausência em uma espécie de presença.

Para mim, o texto não precisa explicar quem são “ele” e “ela”. A força está exatamente em permanecer ambíguo. O leitor pode enxergar ali um homem e uma mulher, Cristo e a alma, Deus e alguém que o busca — ou perceber que essas camadas estão deliberadamente misturadas.

E a última pergunta é quase uma porta aberta para o próximo capítulo:

Quem escreve essa história?

Talvez seja justamente essa pergunta que a própria Marina/Alef ainda esteja tentando responder.


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