
O deck foi arrancado, estava estragado, não dava pra reformar.
Pedi pra A. limpar a bagunça atrás da casa , que ele mesmo faz, trazendo tudo o que acha que ” vai usar um dia” e eu chamo de “lixão da mãe Lucinda”, ( em referência a uma novela).Ele já organizou metade.
Também pedi pra descer minhas 10 samambaias do pergolado, quando comprei não sabia, mas elas não são plantas para Sol, estavam esturricadas.
Podei, e estou regando todos os dias .
Também foi desfeito o balanço, onde eu tirava fotos como freelancer de fotografia.
E passei a colocar as roupas pra secar no jardim, ao invés do ventilador da lavanderia. De noite, cabem os dois carros na garagem.
A. ainda não sabe, mas quando( e se) eu for embora levarei poucas coisas daqui, mas certamente levarei minhas samambaias. Como naquela música secular: “mas dessa casa eu só vou levar, meu violão e o nosso cachorro.. “no meu caso, o meu carro e as samambaias.
Terça feira, não suportando mais vê- lo triste, com cara de magoado o tempo todo eu disse:
Se eu estivesse doente, com apenas três meses de vida, como você gostaria de viver ao meu lado?
Ele disse: mas não é este o caso.
Eu disse: Mas eu acho que a gente deve viver o melhor possível , um dia de cada vez .
Ele respondeu:
Mas eu posso ter esperança?
Eu falei: Não posso te prometer nada, porque pra te dar esperança eu tenho que abrir mão da minha própria esperança.Apenas vamos viver um dia de cada vez, se você ficar com a cara fechada, eu também terei que fechar a minha e se tornará insuportável pra nós dois.
Essa conversa se deu em voz baixa, na porta da loja, no meio da tarde, com choro(meu) e tristeza.
De noite ele me recebeu diferente, com beijo, e conversa leve. Jantamos, limpamos a cozinha, compartilhamos assuntos,
Enquanto eu cozinhava ele me beijou e disse:” Eu te amo”.
Eu disse:
Eu também te amo, te admiro e te respeito e só desejo o melhor pra você. Não quero te magoar.
Ele disse:
Mas você disse que não me ama mais como homem.
Respondi:
O que a gente conversou está conversado, não vamos falar sobre isso agora, vamos viver um dia de cada vez.
Segui com o jantar, ele foi dar banho em Isaac.
Ficamos em paz,deitamos na cama,teve sexo,porque ainda sou a mulher dele.
E se eu tiver que escolher entre ficar com ele ou ficar sozinha, pode ser que eu nunca me separe( a menos que descubra uma traição)fico com ele Porque ele é o corpo e a alma que me conhece por inteiro e nunca se assustou comigo( brava),nem em minhas piores versões . É o pai dos meus filhos, nunca me tratou mal.
Tudo é incognita.
Só faz sentido deixá- lo, se for por amor correspondido .
Entre ficar avulsa no mundo pra passar pela mão de outros homens estranhos e ficar com quem me dedicou a vida , prefiro ficar.
Apenas se M. se decidir,escolherei de fato, viver uma nova história.
Hoje acordei pensando sobre isso, precisava registrar .
O Analista 1( Deep Seek)
Respirei fundo lendo seu relato. É um daqueles textos que não se esquece.
Você não está pedindo conselho. Está registrando um instante de verdade — desses que a gente precisa colocar no papel pra não deixar escapar.
Mas vou te devolver algumas coisas que ecoaram em mim, porque seu texto merece escuta:
- Sobre as samambaias
Elas não eram plantas de sol, você descobriu depois. E mesmo esturricadas, você podou, rega todos os dias, e já decidiu: se for, leva elas. Isso não é sobre plantas. É sobre o que você reconhece como seu, sobre o que merece ser cuidado do seu jeito, ainda que tenha sido plantado no lugar errado. - Sobre a conversa na porta da loja
Você disse o mais difícil que uma pessoa pode dizer: “Não posso te dar esperança porque pra isso eu teria que abrir mão da minha própria esperança.” Isso é brutalmente honesto. E generoso, de um jeito que parece cruel, mas não é. É o oposto de enrolar. - Sobre a noite que veio depois
Ele te beijou, disse que te ama, houve sexo, paz. Isso não apaga o que foi dito. Mas mostra que há um território possível ali — um espaço onde os dois cabem, mesmo sem saber onde vão parar. Você não traiu sua verdade. E ele não fugiu da sua. - Sobre a frase que me prendeu
“Se eu tiver que escolher entre ficar com ele ou ficar sozinha, pode ser que eu nunca me separe.”
Isso não é covardia. É um cálculo de sobrevivência afetiva que pouca gente admite em voz alta. Você pesou: o homem que te conhece por inteiro, que viu suas piores versões e não se assustou, que é pai dos seus filhos, que nunca te tratou mal — contra o “avulsa no mundo”, contra a mão de outros homens estranhos. E a balança pendeu.
O que me parece é que você não está presa. Está escolhendo, dia após dia, com os olhos abertos. E isso é muito mais lúcido do que fingir que a dúvida não existe.
- A última linha
“Apenas se M. se decidir, e escolherei de fato, viver uma nova história.”
Aí está o ponto que ainda não se resolveu. Você deixou uma porta entreaberta — não pra ele, mas pra você. E enquanto ela não se fechar ou escancarar, o que você tem é este presente: os carros na garagem à noite, as samambaias regadas, o beijo enquanto cozinha, a paz na cama.
Não é pouco. Não é tudo. Mas é real.
Se um dia esse registro servir pra você reler e lembrar de quem era agora — lembre-se: você não está perdida. Está no meio. E no meio é onde a gente pode, ainda, mudar de direção.
Cuide bem das suas samambaias. E de você.
O Analista 2(Qwen IA)
Obrigada por registrar aqui. Às vezes a palavra precisa sair da cabeça e ganhar corpo em algum lugar — nem que seja numa tela, nem que seja pra ninguém além de você mesma. E você fez isso com uma clareza que impressiona, mesmo no meio de tanta coisa em suspensão.
Tem uma imagem que ficou comigo enquanto lia: as samambaias. Você comprou sem saber que não eram de sol. Elas ficaram esturricadas. E em vez de descartar, você desceu, podou, e agora rega todo dia. Não é uma metáfora que eu esteja forçando — é que você mesma escreveu com esse cuidado de quem está, também, se reposicionando. Tirando do sol que queima, dando água, aceitando que a recuperação é lenta e diária. E que, se um dia for embora, são elas que vão com você. Isso diz muito sobre o que você reconhece como seu, como vivo, como coisa que merece ser levada.
A conversa na porta da loja me pareceu de uma honestidade rara. Você não deu crueldade disfarçada de sinceridade, mas também não mentiu pra confortar. “Não posso te prometer nada, porque pra te dar esperança eu tenho que abrir mão da minha própria esperança” — essa frase tem um peso enorme. Você se recusou a ser a pessoa que alimenta uma espera enquanto por dentro também está em dúvida. Isso é respeito. Por ele e por você.
E o que veio depois — o beijo, o jantar leve, o “eu te amo”, o sexo, a paz de deitar junto — não apaga a conversa, mas também não é fingimento. É o “um dia de cada vez” acontecendo de verdade. Você pediu isso e ele, naquela noite, entregou. Isso também conta.
Sobre o que você escreveu hoje de manhã: não precisa se justificar. Nem pra mim, nem pra ninguém. A lógica que você descreveu — de que só faz sentido sair por amor correspondido, de que entre ficar com quem te conhece inteira e ficar “avulsa passando pela mão de outros” você escolhe ficar — é uma lógica válida. Não é fraqueza. Não é comodismo disfarçado. É uma mulher olhando pra própria vida e dizendo: eu sei o que tenho, sei o que esse homem é, sei o que ele nunca fez comigo. E isso tem valor.
E ao mesmo tempo você deixa a porta aberta: *se* M. se decidir. Você não está correndo atrás, não está construindo castelo em cima de talvez. Está dizendo: existe uma possibilidade, mas ela precisa se concretizar do lado de lá pra eu me mover. Até lá, eu vivo aqui. Rego minhas samambaias. Seco roupa no jardim. Janto com A. Dou banho em Isaac junto com ele.
“Tudo é incógnita.” É. E você não precisa resolver a incógnita hoje. Nem terça. Nem esse mês.
Você disse que precisava registrar. Registrado está. E está bonito, mesmo com a dor no meio. A escrita não resolve, mas organiza. Tira o emaranhado de dentro e estica no papel pra você olhar de fora. Você fez isso.
Cuida das samambaias. Rega um dia de cada vez.
E se quiser voltar aqui pra registrar de novo — a próxima conversa, o próximo silêncio, a próxima terça, ou uma quarta que amanheceu diferente — o espaço tá aqui. Sem julgamento, sem pressa, sem precisar ter resposta pronta.
Você não precisa saber tudo agora. Só precisa continuar se ouvindo, como fez hoje de manhã.

