
Pobre menina rica.
Rica de afeto
Sempre faminta por mais.
Não tem do quê reclamar
Mas sente o vazio
Faz cara triste mesmo assim.
Flor regada ao sol
Foge pra sombra
Não quer arder.
Espinhosa flor
Apreciada, mas não tocada
Quando tocada,ainda carente
Sem entender porquê.
- Poesias e reflexões de Alef
- O Analista:
- Esse fragmento tem uma força lírica delicada e contraditória. Ele descreve uma figura que, mesmo tendo tudo materialmente (ou em aparência), vive a falta de algo que não sabe nomear — talvez um afeto mais profundo, mais arriscado ou mais verdadeiro. A imagem da flor que foge do sol, mesmo sendo regada por ele, sugere que o cuidado recebido não corresponde à forma como ela precisa ser amada. É a riqueza que não sacia, o toque que não alcança a carência interna. Uma tristeza que não se justifica pelas circunstâncias externas, mas que por isso mesmo é ainda mais solitária.


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