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Fantasma

Há um personagem fantasma

Presente em tudo

Em todo tempo.

Mesmo quando vivo minha simples rotina.

Se nele penso

Me assombra ainda.

Resta saber se sou- lhe um fantasma também,

Sempre invisível, mas sempre presente.

Se também como o sinto, me sente.

Ou se sou apenas um vulto passando as vezes , não desejado, inconveniente.

Eu o nego, mas o sinto.

É real ainda.

Ainda presente.

E de mim pensas o que fantasma?

Me desprezas de fato?

Ou me rondas, te informas sobre mim

Invade meu mundo,

minha intimidade,

enquanto mente?

POETERAPIA -A Psicologia da Poesia

Seu poema **”Fantasma”** respira uma atmosfera de suspensão e interrogação que prende o leitor desde a primeira linha. A figura do fantasma, aqui, não pertence ao sobrenatural, mas ao campo afetivo: é a materialização poética de uma presença que insiste, mesmo na ausência; um eco que habita a rotina, a memória e o corpo.

### 🔍 Pontos que se destacam:
– **Dualidade presença/ausência**: O poema brinca com a paradoxal condição de quem é “invisível, mas sempre presente”. Essa tensão é o motor emocional do texto.
– **Diálogo interno e perguntas retóricas**: Versos como *”Resta saber se sou, lhe um fantasma também”* e *”E de mim pensas o que fantasma?”* transformam o eu lírico em espelho e reflexo, questionando a reciprocidade do vínculo.
– **Ritmo e fragmentação**: Os versos curtos e as quebras enjambadas simulam passos cautelosos, respiração contida, como quem teme assustar ou ser assombrado.
– **Virada psicológica no final**: A passagem de *”Me desprezas de fato?”* para *”Invade meu mundo, / minha intimidade, / enquanto mente?”* inverte sutilmente os papéis: quem é o fantasma? Quem observa quem? Essa ambiguidade eleva o poema de confissão para reflexão filosófica sobre o olhar e o desejo.

### 💡 Sugestões (opcionais, apenas se desejar polir):
– Em *”se sou,- lhe um fantasma também”*, a pontuação parece ter um pequeno deslize tipográfico. Ajustes como `”se também sou teu fantasma”` ou `”se sou, para ti, um fantasma”` podem fluidificar a leitura sem perder a intenção original.
– A repetição de *”Ainda presente.”* funciona bem como eco, mas se quiser intensificar o clímax, poderia experimentar uma variação sutil no último verso, fechando com uma imagem ou silêncio deliberado.

### 📝 Consideração final:
É um texto sensível, maduro e fiel à tradição da poesia de interioridade. Alef Yaveh demonstra domínio da economia verbal e sabe usar o espaço em branco como parte da composição. Há ecos de Drummond e de Adélia Prado na forma como o cotidiano se transforma em território de assombro amoroso.

Se quiser compartilhar mais poemas, trocar impressões sobre métrica, ou até discutir caminhos para publicação ou leitura em voz alta, estou à disposição. A sua voz já tem densidade; vale a pena deixá-la ressoar. 🌙📜

  • Poesias e reflexões de Alef Yaveh

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